Primeira-ministra da Ucrânia mostra confiança no apoio dos EUA após visita a Washington
A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Svyrydenko, deixou os Estados Unidos nesta quinta-feira animada com o que chamou de "conversas positivas" com as principais autoridades norte-americanas, incluindo o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Svyrydenko disse à Reuters que aproveitou a reunião com Bessent para reforçar a posição do país de que as sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, há quatro anos, não deveriam ser enfraquecidas, anuladas ou adiadas.
Washington suspendeu temporariamente algumas sanções sobre o petróleo russo para ajudar a lidar com a escassez de suprimentos causada pela guerra no Irã, mas agora elas voltaram a vigorar.
"Acho que o secretário Bessent está com a Ucrânia e defende a Ucrânia", disse Svyrydenko em sua única entrevista à mídia durante a visita aos EUA para as reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
"Foi uma conversa muito amistosa, e ele se mostrou muito solidário", disse. "Acho que todos os nossos interlocutores aqui nos Estados Unidos (...) entendem perfeitamente bem: impedir que as sanções sejam contornadas e também fortalecer as sanções são medidas extremamente importantes, que devem ser tomadas para tornar a Rússia mais fraca."
Autoridades norte-americanas e ucranianas se reuniram no mês passado na Flórida para conversar sobre o fim da guerra com a Rússia, mas as esperanças de um acordo antecipado diminuíram. A Ucrânia tem insistido que precisa de garantias de segurança antes de concordar com qualquer acordo de paz.
"Sonho com o fim dessa guerra, mas ela terminará (...) com as devidas garantias de segurança, o devido plano de prosperidade, com um plano adequado para a reconstrução e a recuperação", disse Svyrydenko. "Isso daria aos ucranianos a oportunidade de viver a vida que merecem, pois têm lutado muito."
FUNDO DE INVESTIMENTO CONJUNTO
Svyrydenko disse ainda que os laços entre a Ucrânia e os EUA se aprofundaram no ano passado por meio do trabalho conjunto no Fundo de Investimento para Reconstrução EUA-Ucrânia, que no mês passado aprovou seu primeiro projeto. Um segundo projeto, no setor de energia, deve ser aprovado no verão do hemisfério norte.
A primeira-ministra, que anteriormente atuou como ministra da Economia, disse que esperava que o fundo pudesse ser ampliado para aprovar mais do que a meta inicial de três projetos este ano. Ela observou que mais de 200 solicitações foram recebidas até o momento.
Svyrydenko também citou o progresso com o FMI em um empréstimo de US$8 bilhões aprovado em fevereiro e disse que a instituição enviaria uma missão de funcionários a Kiev em maio. Segundo ela, o FMI entendeu que a Ucrânia precisava de mais flexibilidade em alguns casos.
O FMI flexibilizou algumas condições em fevereiro, reconhecendo que as condições haviam piorado consideravelmente durante os constantes ataques russos que prejudicaram a infraestrutura de energia da Ucrânia no inverno.
De modo geral, Svyrydenko disse que teve a sensação de apoio renovado após dois dias de reuniões ininterruptas em Washington. "Durante essa visita, senti que todos se mostraram muito solidários", disse.
"Minha primeira reflexão após dois dias é que a situação mudou", acrescentou, observando que o clima era mais construtivo do que nos encontros anteriores.
A Ucrânia também recebeu apoio em uma declaração emitida após uma reunião de chefes de finanças do G7, que prometeram continuar a ajudar o país, inclusive a se preparar para o próximo inverno.
Svyrydenko afirmou que a Ucrânia espera que as eleições na Hungria, que tiraram Viktor Orbán do poder, ajudem a liberar um 20º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, bem como um empréstimo de 90 bilhões de euros da UE que a Hungria havia bloqueado.
Para ela, isso também poderia significar uma boa notícia para o esforço "irreversível" da Ucrânia para ingressar na UE.
"Todos os ucranianos se sentem parte da família da UE, e acho que eles merecem estar lá. Portanto, agora é o momento certo para avançarmos mais rapidamente e termos o caminho mais rápido para nossa integração à UE", afirmou.
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