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Papa Leão 14 pede que Camarões rejeite violência em missa com 120.000 pessoas

17 abr 2026 - 11h56
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Grandes multidões se reuniram ‌do lado de fora de um estádio em Douala, a maior cidade e centro econômico de Camarões, para uma missa com o Papa Leão 14 nesta sexta-feira, anunciada como o maior evento da turnê do pontífice por quatro países da África.

O Vaticano, citando as autoridades locais, estimou que 120.000 pessoas se dirigiram ao Estádio Japoma para participar da celebração e ouvir o discurso do papa, ⁠que tem sido franco sobre a guerra e a desigualdade, atraindo a ira do presidente dos EUA, ‌Donald Trump.

Com forte presença de seguranças na área, alguns camaroneses foram até o estádio na quinta-feira, dormindo no local durante a noite, para que pudessem testemunhar a fala de Leão 14 ‌pessoalmente.

"Foi difícil -- o frio, os mosquitos e tudo mais", disse ‌um participante, Kevin Kaegam.

"Mas como queríamos ver o sumo pontífice, não tivemos escolha."

Leão, o primeiro ⁠papa norte-americano, estreou um novo e vigoroso estilo de discurso em sua turnê pela África. Em discurso em Camarões na quinta-feira, ele disse que o mundo estava "sendo devastado por um punhado de tiranos", sem citar nomes.

REJEIÇÃO DA VIOLÊNCIA

Depois de chegar a Douala de avião, vindo de Yaoundé, Leão 14 disse nesta sexta-feira que muitas pessoas em Camarões experimentam a "pobreza material e espiritual", mas pediu aos fiéis ‌que rejeitem a violência como um meio de progredir, independentemente das dificuldades que enfrentam.

"Não ceda à desconfiança ‌e ao desânimo", pediu o ⁠papa, em um apelo feito ⁠em inglês durante um discurso que, de resto, foi quase todo em francês.

"Rejeitem toda forma de abuso ou ⁠violência, que engana prometendo ganhos fáceis, mas endurece o ‌coração e o torna insensível."

Invocando o ‌milagre dos pães e peixes relatado nos Evangelhos, no qual Jesus alimentou milhares de pessoas com recursos escassos, Leão disse: "Há pão para todos se for dado a todos. Há pão para todos se for tomado, não com uma mão que rouba, mas com uma mão ⁠que dá."

"CAPRICHOS DE RICOS"

Na metade de sua viagem de dez dias pela África, o pontífice condenou esta semana as violações do direito internacional por parte das potências mundiais "neocoloniais", acrescentando que "os caprichos dos ricos e poderosos" ameaçam a paz.

Camarões, um produtor de petróleo e cacau, enfrenta graves desafios de segurança, incluindo um conflito em que milhares de pessoas ‌foram mortas desde 2017.

O país tem sido liderado há mais de quatro décadas pelo presidente Paul Biya, o chefe de Estado mais idoso do mundo, aos 93 anos. Sua reeleição em outubro do ⁠ano passado provocou protestos de opositores.

As forças de segurança mataram 48 civis durante os protestos, disseram fontes da ONU à Reuters em novembro, quase metade deles na região do Litoral, que inclui Douala.

Em um forte discurso na presença de Biya na quarta-feira, Leão pediu aos líderes políticos de Camarões que rompessem "as correntes da corrupção" no país.

As multidões que saudaram o papa em sua visita a Camarões foram entusiasmadas, alinhando-se nas ruas ao longo de suas rotas e vestindo tecidos coloridos com imagens de seu rosto.

O bispo Leopold Bayemi Matjei chamou a visita de Leão de "um momento de grande alegria" e disse que esperava que isso significasse que Deus abençoaria Camarões.

"Nosso país precisa de muitas bênçãos, uma bênção poderosa, para que a esperança volte a surgir", disse o bispo, que lidera a Igreja em Obala, cerca de uma hora ao norte de Yaoundé.

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