Fuzileiros navais dos EUA no Oriente Médio reclamam de falta de comida em meio a racionamento
Se o cessar-fogo no Oriente Médio parece avançar, segundo o presidente Donald Trump, a realidade para fuzileiros navais dos Estados Unidos mobilizados na região - especialmente na operação de bloqueio do Irã - é bem diferente: o cotidiano a bordo dos navios estaria sendo marcado por falta de alimentos e produtos básicos de higiene, o que levou à imposição de racionamento obrigatório para os militares.
Carrie Nooten, correspondente da RFI nos Estados Unidos
Famílias que falaram sob anonimato mostram fotos de bandejas de refeição consideradas escassas, que causam preocupação. É difícil acreditar que se trata da alimentação do exército mais poderoso do mundo.
O mesmo padrão se repete no porta-aviões USS Abraham Lincoln: um hambúrguer achatado, uma concha de feijão preto e um punhado de cenouras cozidas. Um militar escreveu à mãe há cerca de um mês que os estoques estavam muito baixos e que o moral das tropas nunca esteve tão ruim.
Falta de suprimentos e higiene
Também há escassez de produtos de higiene, como desodorantes, e medicamentos básicos. Famílias, preocupadas, querem compensar as falhas do fornecimento militar e enviar aspirina, pasta de dente, absorventes, barras de proteína e outros lanches.
Até o momento, o Pentágono não respondeu às perguntas da imprensa norte-americana sobre o assunto.
Pictures published by USA Today show meals served recently to Sailors onboard the Nimitz-class aircraft carrier, USS Abraham Lincoln (CVN-72), as well as Marines serving on the USS Tripoli (LHA-7), an America-class amphibious assault ship, both of which are currently deployed to… pic.twitter.com/gZY2vvn9wq
— OSINTdefender (@sentdefender) April 16, 2026
Correios suspendem entregas a militares
Jornalistas norte-americanos relatam também que o serviço postal do país suspendeu indefinidamente as entregas a códigos postais militares dos Estados Unidos, após o início da guerra com o Irã.
Milhares de caixas enviadas a militares americanos no Oriente Médio estão presas em um limbo, relata uma longa reportagem do site do USA Today. A situação levou familiares de militares a montar pacotes com itens básicos e alimentos para ajudar seus parentes em missões prolongadas na região, enquanto as remessas ficam retidas.
Entrevistado pelo veículo, Dan F. disse que ficou alarmado quando sua filha, fuzileira naval a bordo do USS Tripoli - navio de guerra mobilizado na guerra com o Irã - enviou uma foto de uma refeição servida no navio. A bandeja de almoço, dois terços vazia, trazia uma pequena porção de carne desfiada e uma única tortilla dobrada.
Uma imagem de um jantar em meados de abril no USS Abraham Lincoln, compartilhada por outro militar norte-americano com a família, também foi considerada pouco apetitosa: um pequeno punhado de cenouras cozidas, um hambúrguer seco e um bloco acinzentado de carne processada.
Dan e outros familiares de militares temem que seus parentes, destacados para o Oriente Médio, estejam passando fome e passaram a montar caixas com itens que poderiam ajudar os soldados a enfrentar missões prolongadas na região, com doce caseiro, balas, livros de palavras cruzadas, baralhos, pasta de dente, biscoitos e meias limpas.
Possíveis impactos de longo prazo
Os efeitos imediatos das carências incluem queda no moral da tripulação e horários irregulares de alimentação, mas problemas prolongados de abastecimento podem comprometer a eficácia operacional, analisa areportagem sobre o mesmo tema do Times Now.
Historicamente, dificuldades logísticas persistentes em missões de alto risco enfraquecem a capacidade de sustentação das operações e o bem-estar das tropas.
Se não for resolvida, a situação pode reduzir a capacidade da Marinha dos EUA de manter sua atual presença marítima diante do Irã, ao mesmo tempo em que sustenta operações de interceptação em escala global.
Com agências
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