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Por que viagem de Pelosi a Taiwan aumenta risco de guerra entre EUA e China?

Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos chegou à ilha nesta terça-feira, 2; China considera que Taiwan é parte de seu país

2 ago 2022 - 17h20
(atualizado às 17h20)
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Nancy Pelosi (de rosa) desembarca em Taiwan e é recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Joseph Wu, na capital Taipei
Nancy Pelosi (de rosa) desembarca em Taiwan e é recebida pelo ministro das Relações Exteriores, Joseph Wu, na capital Taipei
Foto: Reuters

A viagem da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan nesta terça-feira, 2, gerou um aumento nas tensões entre os EUA e a China. A briga diplomática é antiga e pode estar próxima de chegar em seu auge com a deflagração de uma guerra, já que ambas as nações estão com forças armadas dispostas estrategiamente ao redor da ilha.

Antes mesmo da viagem, o governo chinês já tinha avisado que consideraria essa visita uma provocação e prometeu represálias aos EUA. Com a confirmação da visita, aviões de guerra chineses sobrevoaram a linha que divide o Estreito de Taiwan, entrando no espaço aéreo da ilha como forma de ameaça.

Entenda abaixo o que explica a tensão envolvendo Estados Unidos, China e Taiwan.

China "domina" Taiwan

A dominação da China sobre Taiwan veio após a Revolução Comunista chinesa, em 1949. Derrotadas, as forças capitalistas imigraram para a ilha de Taiwan. A China considera a ilha uma de suas províncias históricas, mas não controla o território, que abriga uma população de 24 milhões de habitantes.

Mesmo assim, o governo chinês se opõe a qualquer contato entre os representantes de Taiwan e os de outros países. A repressão militar e diplomática piorou a partir de 2016, com a eleição da atual presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, que é uma política conhecida por ser a favor da independência de Taiwan.

Relação com os Estados Unidos

Para lidar com a situação, os Estados Unidos adotam uma política estratégica. O governo americano já reconheceu Taiwan como governo chinês legítimo, entre o fim da década de 1940 e o governo de Richard Nixon, que seguiu até 1974. 

Um exemplo disso é que não há embaixada dos Estados Unidos em Taiwan.

Em paralelo, o mesmo governo americano mantém relações diplomáticas com Taiwan com venda de armas para a ilha, por exemplo. O Taiwan conquistou, ao longo do tempo, amplo apoio do Congresso dos Estados Unidos

Com a visita, Pelosi é a política mais importante dos Estados Unidos na ilha desde 1997, quando Newt Gingrich visitou a região.

Militares a postos

A China disse que está pronta para responder à visita da congressista americana e reiterou que era contra a viagem, antes do desembarque de Pelosi. 

"Se os EUA persistirem em desafiar a linha vermelha da China, enfrentarão fortes medidas em resposta e devem assumir todas as consequências", disse Zhao Lijian, porta-voz da diplomacia chinesa durante uma entrevista coletiva.

Nesta terça, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China classificou a vista como uma violação severa do princípio de Uma Só China".

"Infringe severamente a soberania e a integridade territorial da China, prejudica severamente a paz e a estabilidade no Estreito de Taiwan e emite um sinal severamente errado às forças separatistas a favor da 'independência de Taiwan'", disse o governo.

Além disso, aviões chineses voaram perto da linha mediana que divide a via navegável de Taiwan e vários navios de guerra chineses permaneceram perto da linha divisória não oficial desde segunda-feira, 1º, informou uma fonte à Reuters.

As ações da China podem incluir o lançamento de mísseis perto de Taiwan, atividades aéreas ou navais em larga escala ou outras "reivindicações espúrias", segundo afirmou o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, a repórteres.

De qualquer forma, os Estados Unidos também não deixaram barato. Quatro navios de guerra estadunidenses, incluindo um porta-aviões, foram posicionados em águas a leste de Taiwan, no que a Marinha americana chamou de "destacamentos de rotina".

O Reagan, baseado no Japão, está operando com um cruzador de mísseis guiados, USS Antietam, e um destróier, USS Higgins.

Fonte: Redação Terra
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