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Pequim nega presença de soldados ao lado de russos; mercenários chineses contam sua rotina em rede social

Pequim negou nesta terça-feira (8) a participação de chineses lutando ao lado dos russos na guerra contra a Ucrânia. Foi a primeira reação do país após o anúncio pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, da captura de dois cidadãos chineses que estavam combatendo no exército russo na Ucrânia. Kiev pediu ao Ocidente que "reaja" ao "envolvimento" de Pequim no conflito. Inúmeros vídeos nas redes sociais apontam para a presença de mercenários chineses no exército russo. Eles compartilham suas experiências nas redes sociais.

9 abr 2025 - 11h06
(atualizado às 15h26)
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Pequim negou nesta terça-feira (8) a participação de chineses lutando ao lado dos russos na guerra contra a Ucrânia. Foi a primeira reação do país após o anúncio pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, da captura de dois cidadãos chineses que estavam combatendo no exército russo na Ucrânia. Kiev pediu ao Ocidente que "reaja" ao "envolvimento" de Pequim no conflito. Inúmeros vídeos nas redes sociais apontam para a presença de mercenários chineses no exército russo. Eles compartilham suas experiências nas redes sociais.

Captura de tela: soldado chinês supostamente capturado pelo exército ucraniano.
Captura de tela: soldado chinês supostamente capturado pelo exército ucraniano.
Foto: © RFI via AFP / RFI

Vídeos publicados no Douyin — o equivalente chinês do TikTok — mostram os altos salários prometidos aos mercenários que lutam na Ucrânia ao lado da Rússia: mais de 5,2 milhões de rublos (equivalente a R$ 312.000). 

Em outros vídeos, recrutas chineses contam sobre o seu cotidiano, como um que, respondendo a perguntas de internautas, em outubro passado, disse: "Neste momento, a guerra é tão intensa que se poderia dizer que estão nos usando como bucha de canhão. Dizem que podemos ganhar muito dinheiro. Todo mês, nos dão € 2.500. A questão é: podemos voltar vivos ou não? Se sim, então sim: podemos ganhar muito dinheiro."

"Eu passo meu tempo cortando lenha"

Outros reclamam de problemas de linguagem e ou das dificuldades que enfrentaram durante o inverno. "Estou tão cansado. Não disparo nenhuma arma, passo o tempo cortando lenha", diz um. 

Um outro chinês  parece se arrepender de ter aceitado o trabalho: "Se eu contar, você não vai acreditar. Você não acredita até encontrar a morte, mas você não é mais forte que o destino. Melhor ficar na China e sobreviver. Meus shorts estão encharcados de medo. Olha como estou com frio, congelando de verdade", relata. 

Soldados chineses lutando na Ucrânia frequentemente postam fotos e vídeos em seus uniformes russos. Porém, é impossível confirmar as alegações feitas nesses vídeos.

O presidente Volodymyr Zelensky explicou em uma coletiva de imprensa que dois soldados chineses foram capturados na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, durante um confronto envolvendo seis militares chineses perto do vilarejo de Bilogorivka. "Temos documentos desses prisioneiros, cartões bancários e dados pessoais", disse o presidente, publicando também uma breve gravação que supostamente mostra um desses soldados.

Zelensky denuncia essa participação chinesa na guerra russa contra a Ucrânia, seja de forma direta, com a presença de tropas chinesas no terreno, ou indireta, por meio de financiamentos e fornecimento de equipamentos militares pela China a Moscou.

Se a presença de mercenários chineses ao lado dos russos for confirmada, a China se tornaria o segundo país a participar diretamente da agressão russa ao enviar soldados, após o envio de tropas norte-coreanas por Pyongyang no fim de 2024.

Acusações "infundadas"

Pequim rebateu nesta quarta-feira as acusações "infundadas" de Kiev de que "muitos outros" cidadãos chineses estão lutando com as forças russas contra a Ucrânia.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, disse que "a China está verificando essa questão com a Ucrânia". Em uma coletiva de imprensa, ele enfatizou que "o governo chinês sempre pediu a seus cidadãos que ficassem longe de áreas de conflito armado, que evitassem o envolvimento em conflitos armados de qualquer forma e, em particular, evitassem tomar parte de operações militares em qualquer lugar".

O Kremlin se recusou a comentar o anúncio. "Não posso comentar esse assunto", disse o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

Na terça-feira, os Estados Unidos declararam estar alarmados com a captura de dois cidadãos chineses que supostamente estavam lutando com tropas russas.

"É perturbador que os soldados chineses tenham sido capturados", disse a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, aos repórteres, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, relatou a prisão e exigiu uma explicação da China.

"A China é o maior facilitador da Rússia na guerra na Ucrânia. A China fornece quase 80% dos bens de dupla utilização que a Rússia precisa para sustentar a guerra", acrescentou o porta-voz. "A cooperação contínua entre essas duas potências nucleares só contribuirá para uma maior instabilidade global e tornará os Estados Unidos e outros países menos seguros e prósperos", conclui o porta-voz americano.

(Com RFI e AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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