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Partido Verde da Grã-Bretanha vota para classificar sionismo como uma forma de racismo

4 out 2026 - 16h00
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Resumo
O Partido Verde do Reino Unido aprovou moção que classifica o sionismo como forma de racismo e projeto etnonacionalista, defendendo um único Estado democrático na Palestina histórica e o fim da venda de armas a Israel. A decisão gerou forte reação de entidades judaicas britânicas, que acusaram a sigla de antissemitismo, e de Israel, que afirmou que a legenda legitima o terrorismo. Líderes verdes justificaram o ato pelo conflito em Gaza e negaram qualquer conflito com os direitos do povo judeu.

O Partido Verde da Reino ‌Unido votou neste domingo para classificar o sionismo como uma forma de racismo, gerando críticas de judeus britânicos e do governo israelense, que disse agora considerar o partido como "uma entidade que confere legitimidade ao terrorismo".

O partido -- que recebeu 6% dos votos nas eleições nacionais de 2024 -- afirmou considerar o sionismo "um projeto político etnonacionalista" ⁠e reiterou seu apelo para que o governo trabalhista britânico encerre todo o ‌comércio de armas com Israel.

"A moção também reafirma o apoio do Partido Verde ao direito à autodeterminação e pede o estabelecimento de um único Estado ‌democrático em toda a Palestina histórica", afirmou o ‌partido em comunicado.

A definição de sionismo -- que inspirou a fundação do ⁠Estado moderno de Israel no século XX -- e o que isso implica para os direitos dos não judeus em Israel e nos territórios vizinhos é controversa. Grupos judeus às vezes o definem como um direito à autodeterminação judaica.

A moção do Partido Verde foi aprovada por uma maioria de 1.022 votos a ‌813, apesar da oposição de muitas figuras importantes. O líder do partido, Zack Polanski, ‌que concorre às eleições ⁠parlamentares na quinta-feira, ⁠no distrito eleitoral de Londres agora vago do ex-primeiro-ministro Keir Starmer, não votou.

O resultado foi ⁠condenado por grupos judeus britânicos.

"O Partido Verde ‌transformou o antissemitismo em ‌política partidária e se tornou um partido racista", afirmou o Movimento pelo Judaísmo Progressista, acrescentando que o apoio de alguns judeus à moção não significava que ela não seria usada para discriminar outros.

Mothin Ali, vice-líder do ⁠Partido Verde e defensor da moção, disse à Sky News no sábado que o elevado número de mortes palestinas no conflito de Israel com o Hamas -- que se seguiu ao ataque mortal de 2023 do grupo militante palestino a um festival de música israelense -- ‌foi o contexto fundamental para a votação.

"A moção define o sionismo de forma bastante clara. Ela o define como um movimento etnonacionalista. Ela o define ⁠como limpeza étnica. Ela o define como genocídio", disse Ali.

O governo britânico considera que as ações dos colonos israelenses na Cisjordânia equivalem a limpeza étnica, mas afirmou que cabe aos tribunais decidir se outras ações israelenses se qualificam como genocídio.

Israel - que rejeita as acusações de limpeza étnica e genocídio - pediu no domingo para que outros partidos políticos britânicos condenassem a votação do Partido Verde. "Os Verdes adotaram não apenas o verde do Hamas, mas também sua ideologia: a eliminação do Estado de Israel por meio da luta armada", afirmou.

Polanski e outras figuras importantes do Partido Verde afirmaram que "continuarão a denunciar os crimes hediondos do governo de Netanyahu" e que "não há conflito entre apoiar os direitos dos palestinos e os direitos do povo judeu".

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