Piloto conta como reagiu a ataque em voo da Flydubai: 'Não podia deixar todos morrerem'
Incidente ocorreu na quarta-feira, 30, durante voo da companhia entre Dubai e Tel Aviv, com 174 passageiros a bordo
O piloto indiano Smit Machchhar evitou a queda de um Boeing 737 da Flydubai com 174 passageiros após ser atacado pelo copiloto durante voo para Tel Aviv. Mesmo ferido na luta pelo controle da cabine, Machchhar abriu a porta para permitir ajuda antes de desmaiar, enquanto o avião despencava rapidamente. A aeronave pousou em segurança na Arábia Saudita. Autoridades israelenses suspeitam de motivação terrorista e suicida do copiloto, e uma investigação internacional apura as circunstâncias do caso.
O piloto indiano Smit Machchhar afirmou ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que tentou proteger os passageiros após ser atacado pelo copiloto durante um voo entre Dubai e Tel Aviv. Ferido, ele contou que percebeu que a aeronave estava perdendo altitude e fez um último esforço para evitar uma tragédia.
"Eu estava tentando salvar minha própria vida, mas sabia que não podia deixar todas aquelas pessoas morrerem", disse Machchhar, de seu leito hospitalar, durante uma ligação com Modi exibida em um vídeo publicado pelo primeiro-ministro nas redes sociais.
O caso aconteceu na quarta-feira, 30, durante um voo da Flydubai operado por um Boeing 737 com 174 passageiros. Segundo os relatos, o copiloto teria atacado Machchhar, dando início a uma luta pelo controle da aeronave.
Machchhar, que tem 17 anos de experiência na aviação, sendo 11 como comandante, contou que chegou a perder a consciência em razão dos ferimentos. Ao perceber que o avião estava despencando, decidiu tentar abrir a porta da cabine para permitir que outras pessoas entrassem.
"Eu tinha sofrido tantos ferimentos que desmaiei. Naquele momento, senti o avião caindo. Eu sabia que era o último esforço, que a porta estava ali", relatou.
Imagens gráficas mostram que o avião desceu de 33.000 pés para 17.000 pés (cerca de 10.000 metros para 5.100 metros) em um minuto, antes de fazer um círculo errático próximo à fronteira jordaniana e finalmente pousar em Tabuk uma hora depois, de acordo com o Flightradar24. Veja abaixo:
O avião foi desviado e fez um pouso de emergência na Arábia Saudita. As circunstâncias do confronto e a dinâmica que levou à perda de altitude ainda são investigadas.
Após a ligação com Machchhar, Modi afirmou que a atuação do piloto ajudou a salvar centenas de vidas e a evitar "uma grande tragédia". O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também havia elogiado o piloto e os passageiros pela atuação durante o incidente.
Copiloto de Omã passou por 'doutrinação radical islâmica'
O primeiro-ministro de Israel afirmou que a polícia apura quem está por trás da tentativa de derrubar um avião da FlyDubai durante um voo com destino a Israel. A investigação também deverá esclarecer se o copiloto, que é de Omã, agiu sozinho ou contou com a participação de outras pessoas.
"Sabemos que ele passou por uma doutrinação radical islâmica", acrescentando que "o agressor gritava para a tripulação: 'Matem-me, matem-me'", o que deixava "claro que ele tinha intenções suicidas", disse em entrevista à Fox News.
"Vamos investigar a fundo esse ataque, se o autor teve cúmplices, se o Irã estava por trás disso. Acho que descobriremos muito em breve", afirmou.
Netanyahu declarou que Israel acompanha as investigações e que seus serviços de inteligência também apuram o caso. Segundo ele, o homem apontado como responsável pelo ataque já era investigado na Arábia Saudita, onde o avião pousou em segurança, no aeroporto de Tabuk.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou na quarta-feira que as informações preliminares obtidas pelo país indicavam que o copiloto pretendia derrubar a aeronave e o classificou como terrorista. Netanyahu, por sua vez, descreveu o episódio como um "grave incidente de segurança".
Dois funcionários de segurança israelenses disseram à Reuters que a avaliação inicial de Israel era de que o copiloto provavelmente havia agido sozinho. Segundo eles, porém, a investigação ainda não havia determinado a motivação do ataque nem descartado a participação de outras pessoas.
Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação sobre o episódio. A agência estatal WAM informou que a apuração deverá determinar se o incidente poderia estar relacionado a alguma atividade ou tentativa terrorista.
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