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Forças governamentais retomam capital da região de Tigray, na Etiópia

4 out 2026 - 14h54
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Resumo
Forças pró-governo e tropas federais retomaram Mekelle, capital de Tigray, impondo dura derrota aos rebeldes da TPLF, que transferiram seu governo regional. O avanço militar intensifica a pior crise desde a guerra de 2020-2022 e ameaça virar um conflito regional. A Etiópia rompeu laços com a Eritreia, acusando-a de apoiar a oposição junto a Sudão e Egito — países que negam envolvimento, em meio a antigas tensões geopolíticas e hídricas com o Cairo pela megabarragem no Nilo.

As forças pró-governo retomaram o controle da ‌capital de Tigray, segundo informaram neste domingo, causando um grande revés à aliança da oposição que governa a região do norte da Etiópia.

As Forças de Paz de Tigray, uma milícia pró-governo, afirmaram em uma publicação no Facebook que seus combatentes controlavam Mekelle. Uma fonte próxima à ⁠milícia havia dito anteriormente à Reuters que ela entrou no centro da ‌cidade na tarde de sábado, seguida pelas forças armadas etíopes.

A Frente de Libertação do Povo de Tigray (TPLF), que lidera a aliança da ‌oposição, afirmou em um comunicado que havia ‌se retirado da capital e que o governo regional seria "temporariamente ⁠transferido para fora de Mekelle e passaria a operar de outro local".

Uma fonte humanitária e um morador de Mekelle, que pediu para não ser identificado, confirmaram que a cidade estava nas mãos das forças governamentais e de seus aliados.

A tomada de Mekelle pelas forças pró-governo representa uma ‌grande derrota para a aliança da oposição liderada pela TPLF, que lançou ‌uma grande ofensiva em ⁠23 de setembro ⁠contra as forças armadas etíopes.

As forças federais etíopes realizaram um rápido contra-ataque em ⁠Tigray, mas analistas afirmam que os ‌combates -- a pior escalada ‌desde a guerra civil de 2020-2022 -- ameaçam se transformar em um conflito regional mais amplo.

O governo federal em Adis Abeba rompeu relações diplomáticas com a Eritreia na semana passada, acusando-a de apoiar ⁠a aliança rebelde ao lado do Sudão e do Egito.

O ministro das Relações Exteriores do Egito negou apoiar o TPLF e seus aliados. "Tenho que ser muito claro: não estamos envolvidos na crise interna que a Etiópia enfrenta atualmente. Isso não ‌tem nada a ver conosco", disse Badr Abdelatty à Reuters no domingo. A Eritreia e o Sudão também negam estar ajudando os ⁠rebeldes.

Abdelatty falou antes de uma reunião entre o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi e seus homólogos da Eritreia e da Somália, realizada no Egito no domingo. Abdel Fattah al-Burhan, chefe do Exército do Sudão, também deveria participar das negociações.

O Egito e a Etiópia, dois dos países mais populosos da África, estão em desacordo há anos devido à construção pela Etiópia de uma grande barragem no rio Nilo, que o Egito considera uma ameaça à sua segurança hídrica.

"É uma questão existencial. É uma questão de vida ou morte para 110 milhões de pessoas", disse Abdelatty.

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