Christa Pike: Por que execução de condenada à morte foi suspensa nos EUA na última hora?
Pike seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos, mas decisão foi suspensa uma hora antes da execução
O Tribunal de Apelações do 6º Distrito dos Estados Unidos suspendeu a execução de Christa Pike, a única mulher no corredor da morte, cerca de uma hora antes do horário previsto para a realização do ato. O tribunal afirmou que precisava revisar as alegações feitas pela equipe jurídica da condenada, em uma tentativa de impedir sua execução.
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“Os interesses da justiça e a iminência da execução de Pike exigem a concessão de uma breve suspensão da execução para que as partes possam analisar adequadamente seus argumentos e resolver as questões em seu mérito”, informou a Corte.
Ainda não está claro por quanto tempo a execução de Pike poderá ser suspensa e se os advogados conseguirão reverter a decisão. A questão central é se ela pode ou não reabrir um processo judicial centrado em suas alegações de que foi abusada sexualmente desde a infância, o que foi reconhecido pelo estado em uma audiência especial em agosto.
Em 1995, Pike, na época com 18 anos, foi acusada de agir em conjunto com outros dois adolescentes para torturar, cortar e espancar fatalmente Colleen Slemmer, de 19 anos. A polícia disse que Pike e os amigos atraíram a vítima, uma colega do programa de treinamento Job Corps, para uma usina a vapor abandonada na Universidade do Tennessee, e a atacaram. O assassinato teria sido motivado por ciúmes.
Hoje, aos 50 anos, ela seria a primeira mulher executada pelo estado em mais de 200 anos. O governador Bill Lee já havia manifestado que não iria intervir no caso de Pike. Em carta à NBC News, a mulher revelou que não tem medo de morrer, mas está nervosa com o processo. "Se meu indulto for concedido ou não, estou em paz", declarou.
O crime de Pike ganhou repercussão por apresentar traços de ocultimo. Um dos envolvidos esculpiu um pentagrama no peito da vítima e Pike se gabou para uma outra aluna de ter guardado um fragmento do crânio de Slemmer como "lembrança".
Pike nunca contestou seu papel no assassinato de Slemmer, mas a defesa dela trouxe à tona detalhes de uma adolescência marcada por abuso sexual e físico, além de negligência. Os advogados acreditam que, se tais evidências tivessem sido apresentadas em um julgamento nos dias atuais, ela não teria sido condenada à pena de morte.
Após a recusa do governador, a Suprema Corte parecia ser a última chance de Pike de ter um indulto, no entanto, o tribunal negou o pedido de reversão da pena. Os advogados lamentaram a "falta de clemência" por parte do governador.
Dos três envolvidos no assassinato, apenas Pike foi condenada à morte. Os advogados argumentam que a idade dela na época teria sido um fator relevante hoje em dia para considerar sua pena. O namorado de Pike, Tadaryl Shipp, que na época tinha 17 anos, recebeu uma sentença de prisão perpétua por ser menor de idade e com direito a possibilidade de liberdade condicional.
Ele confirmou que foi o responsável por esculpir o pentagrama no corpo de Slemmer. A terceira cúmplice, Shadolla Peterson, então com 18 anos, agiu como vigia no crime e recebeu liberdade condicional em troca de sua cooperação.
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