Netanyahu ordena revisão da segurança aérea após incidente com voo da Flydubai rumo a Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, determinou neste domingo (4) uma revisão das medidas de segurança aplicadas aos voos internacionais com destino ao país, após o ataque ocorrido esta semana contra uma aeronave da companhia aérea Flydubai.
Benjamin Netanyahu ordenou uma revisão na segurança da aviação civil estrangeira após o copiloto de um voo da Flydubai tentar derrubar um avião rumo a Tel Aviv, tragédia evitada por passageiros. Sob pressão política e acusado pela oposição de criar uma apuração de fachada para mascarar falhas de inteligência, o governo israelense agora atua com autoridades dos Emirados Árabes Unidos para investigar o suspeito, que planejava colidir a aeronave contra o território de Israel.
Em comunicado, o gabinete do premiê informou que Netanyahu encarregou o diretor do Conselho de Segurança Nacional, Shmuel Ben Ezra, de nomear um responsável para realizar uma análise completa de todos os aspectos relacionados à segurança da aviação civil estrangeira que opera voos para Israel.
Na quarta-feira, um avião da Flydubai que seguia para Tel Aviv precisou fazer um pouso de emergência na Arábia Saudita após uma aparente tentativa do copiloto de provocar a queda da aeronave. O voo transportava 174 pessoas, entre elas 166 israelenses.
O governo Netanyahu vem sofrendo pressão nos últimos dias, enquanto políticos da oposição e veículos da imprensa questionam possíveis falhas de segurança que teriam permitido o incidente. Segundo relatos, a tragédia só foi evitada graças à intervenção de passageiros.
Parlamentares de esquerda chegaram a pedir que a procuradora-geral abra uma investigação sobre possíveis falhas relacionadas ao voo da Flydubai. Entre os pontos levantados está a hipótese de que informações sobre a identidade do copiloto tenham sido repassadas às autoridades israelenses, mas que seus antecedentes não tenham sido devidamente verificados.
Veículos de comunicação israelenses informaram ainda neste domingo que o suspeito, interrogado nos Emirados Árabes Unidos, pretendia lançar o avião contra território israelense. Segundo essas reportagens, ele teria operado diversos voos para Tel Aviv nos últimos meses com o objetivo de estudar rotas e procedimentos.
Reagindo ao anúncio da revisão ordenada por Netanyahu, o líder oposicionista Yair Lapid afirmou na rede social X que a medida representa uma "investigação de fachada".
"Assim como Netanyahu evitou uma investigação sobre o massacre de 7 de outubro, ele volta a se esquivar agora", declarou Lapid, referindo-se ao ataque realizado pelo grupo palestino Hamas em Israel em 2023.
A ministra dos Transportes, Miri Regev, uma das principais aliadas de Netanyahu e alvo de críticas pela condução do caso, informou neste domingo ter se reunido com o embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Israel para discutir a cooperação na investigação do incidente.
"Concordamos em continuar nossa cooperação, fortalecer os laços nas áreas de aviação e transportes e atuar juntos para garantir a segurança dos passageiros e dos voos", afirmou a ministra.
Por sua vez, Gadi Eisenkot, principal adversário de Netanyahu nas eleições legislativas marcadas para 27 de outubro, escreveu na rede X que, "em um governo sério e bem administrado, a ministra dos Transportes já teria apresentado sua renúncia".
Com AFP
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