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Paraguai em crise: Abdo depõe sobre acordo de Itaipu

Presidente paraguaio foi ouvido por três procuradores na residência oficial na condição de testemunha

12 ago 2019
07h53
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ASSUNÇÃO - O presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, prestou depoimento por cerca de sete horas ao Ministério Público na condição de testemunha, neste domingo (11), sobre o escândalo envolvendo o acordo com o Brasil para renegociação da energia de Itaipu. O depoimento ocorreu na residência oficial do presidente paraguaio e aumentou a temperatura da crise política que afeta o país vizinho.

Segundo os procuradores que compõem a força-tarefa criada para investigar o caso, Abdo disse desconhecer o advogado José "Joselo" Rodríguez, assessor jurídico do vice-presidente Hugo Velázquez, e entregou seu telefone celular aos investigadores.

O presidente paraguaio, Mario Abdo
O presidente paraguaio, Mario Abdo
Foto: Jorge Adorno / Reuters

A partir desta segunda-feira (12) a oposição a Abdo pretende desencadear uma série de manifestações por todo o país com o objetivo de aumentar o desgaste do presidente e forçar o Congresso a votar um pedido de impeachment do mandatário.

Em entrevista coletiva, os procuradores Marcelo Pecci, Liliana Alcaráz e Susy Riquelme, integrantes da força-tarefa, evitaram dar detalhes sobre o depoimento. Além de confirmarem que Abdo entregou seu celular e disse desconhecer Joselo, eles disseram que o presidente deu detalhes sobre uma reunião da qual também participaram o ex-presidente da Administração Nacional de Energia (Ande, a estatal energética do Paraguai), Pedro Ferreira, o vice-presidente e o ministro da Fazenda, Benigno María López Benítez, na qual trataram da venda de energia paraguaia pela Ande para o mercado externo.

A exclusão do item 6 da ata do acordo com o Brasil, que autorizava a Ande a vender energia no mercado brasileiro sem a necessidade de intermediários, é um dos motivos de descontentamento dos paraguaios. O outro é a obrigatoriedade de o país vizinho contratar mais energia "garantida" de Itaipu - que é mais cara -, o que deve elevar o preço da tarifa no Paraguai.

Além disso, os procuradores disseram que agora, de posse do celular do presidente, vão poder esboçar um quadro mais claro da situação. Até ontem eles tinham apenas as mensagens entregues pelo ex-presidente da Ande, Ferreira, que renunciou ao cargo por discordar do acordo.

Nesta segunda os procuradores devem tomar o depoimento do vice-presidente, Velázquez. A expectativa é que ele seja inquirido sobre suas relações com Joselo. Em mensagens ao ex-presidente da Ande, o assessor jurídico defendia os interesses da Léros, empresa brasileira ligada ao empresário e político Alexandre Giordano (PSL), suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP), e dizia falar em nome do governo brasileiro. A Léros é alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso paraguaio.

Enquanto isso, a oposição a Abdo tenta aproveitar o desgaste do presidente para encaminhar um processo de impeachment. Ontem 15 entidades se reuniram para traçar um calendário de manifestações que inclui atos públicos e paralisações de rodovias em 33 pontos do país a partir de hoje.

Na reunião as entidades de oposição decidiram convocar uma greve geral para a quinta-feira. "É algo que sem precedentes nos últimos anos", disse o deputado Ricardo Canese, da Frente Guasú.

Ontem a Polícia Militar bloqueou o tráfego na avenida Costanera, uma das principais da capital paraguaia, para impedir uma manifestação contra o governo. Policiais disseram ao Estado que atendiam a "ordens superiores". No mesmo local, ocorria um ato evangélico.

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Estadão
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