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Papa se reúne com Orbán na Hungria e critica antissemitismo

Francisco iniciou viagem de três dias por Budapeste e Eslováquia

12 set 2021 08h38
| atualizado às 08h47
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O papa Francisco se reuniu neste domingo (12) com o primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, dando início a uma viagem de três dias por Budapeste e pela Eslováquia.

Papa Francisco cumprimenta Viktor Orbán no Museu de Belas Artes de Budapeste
Papa Francisco cumprimenta Viktor Orbán no Museu de Belas Artes de Budapeste
Foto: EPA / Ansa - Brasil

O encontro ocorreu no Museu de Belas Artes da capital húngara e também contou com as presenças do presidente János Áder e do vice-premiê Zsolt Semjén.

Segundo a Sala de Imprensa do Vaticano, o Papa e os líderes da Hungria usaram os 40 minutos de reunião para falar sobre "o papel da Igreja no país, o compromisso com a proteção do meio ambiente e a defesa da família".

No poder desde 2010, Orbán é uma das principais figuras da extrema direita europeia e se notabilizou por políticas discriminatórias contra migrantes, refugiados e homossexuais, temas que, de acordo com a Santa Sé, não foram abordados.

Em seu perfil no Facebook, Orbán disse ter usado a reunião para pedir a Francisco que evite que a "Hungria cristã pereça". Nas homilias e nos discursos do Papa, são recorrentes as críticas a políticos nacionalistas e populistas, assim como a defesa do acolhimento a refugiados.

O governo Orbán já é alvo de denúncias na União Europeia por ações como recusar comida a migrantes e criminalizar ajudas a deslocados internacionais que tenham entrado na Hungria sem autorização.

Além disso, sua gestão é acusada de violar o Estado de Direito em repetidos ataques à imprensa, a minorias e ao poder Judiciário, e de homofobia ao aprovar uma lei que proíbe a "promoção" da homossexualidade para menores de idade.

Antissemitismo

Após o encontro com líderes políticos, Jorge Bergoglio se reuniu com o Conselho Ecumênico das Igrejas e com comunidades judaicas da Hungria, ocasião em que alertou para a "ameaça do antissemitismo".

"Devemos nos empenhar em promover juntos uma educação para a fraternidade, para que os regurgitos de ódio não prevaleçam. Eu penso na ameaça do antissemitismo, que ainda serpenteia na Europa e em outros lugares. É uma ameaça que deve ser apagada", disse.

A declaração chega pouco depois de o Papa ter sido criticado por líderes judaicos por conta de uma leitura bíblica na qual ele teria insinuado que o cristianismo é uma "superação da Torá".

"Temos de abandonar as incompreensões do passado, as pretensões de ter razão e de criticar os outros, para nos colocar no caminho de uma promessa de paz", afirmou Bergoglio neste domingo.

Além disso, o pontífice cobrou que líderes religiosos não alimentem divisões, mas sim estimulem "mensagens de abertura e paz". A passagem do Papa por Budapeste termina com uma missa para 100 mil pessoas no encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional.

Francisco embarca para Bratislava, capital eslovaca, ainda neste domingo e participa de um encontro ecumênico na cidade. Até 15 de setembro, o pontífice ainda visitará as cidades de Presov, Kosice e Sastín-Stráze.

Ansa - Brasil   
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