Papa pede acolhimento de imigrantes em mensagem por 250 anos da independência dos EUA
Leão XIV lembrou que o país foi moldado por 'gerações' de estrangeiros
Em mensagem divulgada por ocasião do 250º aniversário da Declaração de Independência dos Estados Unidos, o papa Leão XIV fez um forte apelo ao acolhimento de imigrantes, em meio à deriva contra estrangeiros promovida pelo presidente Donald Trump, e à defesa da vida humana em todas as suas etapas, da concepção até a morte natural.
O documento é datado de 25 de junho, porém foi publicado apenas neste sábado (4), no jornal vaticano L'Osservatore Romano.
O pontífice lembrou que a história dos EUA foi construída por gerações de imigrantes que chegaram "em busca de liberdade, oportunidades e de um lugar ao qual pertencer".
"A defesa da vida humana também inclui acolher, proteger e auxiliar os imigrantes, cujas esperanças, sacrifícios e contribuições fazem parte da história deste país desde a sua fundação. Acolhê-los com compaixão e generosidade não é apenas um ato de caridade, mas também um reconhecimento da dignidade inerente a cada ser humano", disse o primeiro pontífice norte-americano na história da Igreja Católica.
O Papa também reafirmou a importância de "salvaguardar a vida humana desde o seu início com a concepção até a morte natural", construindo "uma sociedade em que os vulneráveis, os sofredores e os esquecidos sejam sempre acolhidos com compaixão, solidariedade e amor".
"Entre os princípios que nortearam o crescimento deste país está a dignidade inerente a cada vida humana, sendo que cada pessoa possui um valor intrínseco que exige reverência, proteção e cuidado", escreveu Robert Prevost.
Em sua mensagem, Leão XIV também ressaltou que a liberdade religiosa, garantida pela tradição americana, permitiu que "a Igreja Católica se enraizasse e prosperasse nos EUA". Ele citou a encíclica "Sapientiae christianae", do papa Leão XIII, que diz que "nenhum cidadão é melhor que um verdadeiro cristão ciente de seu dever", e afirmou que a fé "presta novo vigor à busca da justiça, da paz e do bem comum".
"Estendo minhas mais calorosas saudações a todos os americanos pelo 250º aniversário da assinatura da Declaração de Independência. Este 250º aniversário comemora aquele momento único na história dos Estados Unidos da América, 4 de julho de 1776, que deu voz indelével aos ideais de liberdade, igualdade, busca da felicidade, justiça e autogoverno democrático", afirmou o pontífice, salientando que a efeméride é um "convite a refletir sobre as responsabilidades que os filhos e filhas deste país têm uns para com os outros".
O Papa concluiu a carta com o desejo de que o aniversário "renove o compromisso comum com a promessa de liberdade, justiça, oportunidade e democracia" e um pedido para que os americanos "honrem a coragem e a visão daqueles que os precederam, respeitando suas diferenças e trabalhando juntos para uma união mais perfeita".
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