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Papa critica gastos com guerras e alerta para êxodo de cristãos do Oriente Médio

Leão XIV lamentou o que classificou como um 'desperdício' de recursos

18 jun 2026 - 08h45
(atualizado às 09h01)
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O papa Leão XIV voltou a fazer nesta quinta-feira (18) um forte apelo pela paz ao denunciar os recursos financeiros destinados aos conflitos armados e alertar para a situação dos cristãos no Oriente Médio, marcada pela instabilidade e pela migração forçada.

Durante discurso aos membros da assembleia plenária da Reunião das Agências de Ajuda às Igrejas Orientais, no Vaticano, o Pontífice lamentou o que classificou como um "desperdício" de recursos em meio ao agravamento das crises internacionais.

"Não posso deixar de pensar em quanto dinheiro, neste momento histórico sombrio, é desperdiçado em assassinatos, esbanjado por tantos que fomentam guerras", afirmou.

Em contraste, Leão XIV elogiou o trabalho das organizações humanitárias que apoiam comunidades vulneráveis e promovem o diálogo e a solidariedade.

"Enquanto vocês geram vida, eles semeiam a morte; enquanto vocês estendem a mão ao seu irmão, eles encontram inimigos para esmagar; enquanto vocês criam diálogo, eles buscam monólogos; enquanto vocês abrem caminhos de esperança, eles aprisionam as pessoas no medo; enquanto vocês constroem o futuro, eles destroem o presente", elencou.

Além disso, destacou a difícil realidade enfrentada pelas Igrejas Orientais, especialmente no Oriente Médio, e chamou a atenção para o êxodo contínuo de cristãos da região.

Segundo ele, a principal causa desse fenômeno é uma "praga" que afeta diversos países: a instabilidade. "Como não pensar no doloroso êxodo dos cristãos orientais de suas terras?", questionou. "Há uma praga, um flagelo nascido da guerra, uma praga que continua a drenar a força vital das Igrejas Orientais em particular. Eu a defino em uma palavra: instabilidade", reiterou.

Na ocasião, o líder da Igreja Católica descreveu as sociedades fragilizadas por instituições enfraquecidas, pela presença de grupos armados e por sistemas políticos frequentemente influenciados por interesses externos.

Na sua avaliação, essa situação gera uma condição permanente de precariedade que dificulta o desenvolvimento econômico e social e "recai sempre sobre os ombros dos mais pobres".

"Em muitos países, o medo e a insegurança dominam por todo o lado. O trabalho parece precário, os salários são descontínuos, os cuidados de saúde, quando funcionam, são intermitentes e a educação é provisória", observou.

Robert Prevost ressaltou que isto prejudica as pessoas comuns, sendo as famílias, os jovens, os idosos, os doentes e os mais pobres os principais afetados.

Segundo ele, a falta de perspectivas para o futuro leva muitas pessoas a deixarem suas terras de origem em busca de melhores condições de vida.

"Torna-se uma tragédia que pesa no coração de todos, devora a esperança e impede a construção do futuro, fomentando a compulsão de partir, como acontece a tantos dos nossos irmãos e irmãs na fé, especialmente no Oriente Médio".

Em seu pronunciamento, o Santo Padre também defendeu uma reflexão mais profunda sobre as consequências dos conflitos armados e da instabilidade política. Para ele, guerras e crises não são fenômenos inevitáveis, mas resultados de decisões humanas que envolvem responsabilidades morais.

"A história mostra como as tramas de violência e arrogância, de poder e dominação, de lucros obtidos sem justiça e sem escrúpulo acabam se voltando não apenas contra aqueles que as sofrem, mas também contra aqueles que as perseguem", afirmou.

Por fim, o Papa pediu uma renovação do respeito pela dignidade humana e por valores de convivência pacífica, conclamando a comunidade internacional a agir com responsabilidade para prevenir novos conflitos e promover a estabilidade nas regiões mais afetadas pela violência.

"Exortamos as consciências a serem sensíveis à indignação; e a reacender o respeito pela humanidade e um senso de civilidade exemplar", concluiu.

Ansa - Brasil
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