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Padre italiano relata desespero de transexuais após morte de Papa

Religioso espera que 'portas' pela causa LGBT 'não se fechem'

23 abr 2025 - 09h21
(atualizado às 09h31)
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"Padre, padre, acabei de acordar e vi que o papa Francisco está morto. Ele nos ajudou tanto, ele fez tanto por nós". Este foi o grito desesperado de Camilla - nome fictício -, uma das transexuais que encontrou abrigo na paróquia de Torvajanica, na costa romana, na manhã de segunda-feira (21), data do falecimento do líder da Igreja Católica.

O relato foi revelado à ANSA nesta quarta (23) pelo padre italiano dom Andrea Conocchia, que acabou de prestar uma homenagem ao corpo de Jorge Bergoglio, exposto na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e onde permanecerá até seu funeral.

Durante a conversa, o religioso mostrou diversos vídeos e reproduziu algumas das mensagens de voz que recebeu de várias trans no dia em que o argentino faleceu, aos 88 anos, vítima de uma parada cardiocirculatória em decorrência de um AVC, após mais de dois meses de batalha contra uma grave pneumonia.

Segundo Conocchia, "as amigas e paroquianas trans" de Francisco "estão chocadas e agora com medo de serem abandonadas".

"Na sexta-feira, quero retornar com elas a São Pedro para uma última despedida do Papa que as amou", acrescentou o padre, que quase todas as quartas-feiras participava da audiência do Pontífice junto com um grupo de transexuais.

Nas celebrações, o Santo Padre sempre encontrava um momento para cumprimentar o padre Conocchia, envolvido na pastoral LGBT, e todas as transexuais.

De acordo com o religioso, o Papa sempre dizia: 'Vá em frente, vá em frente" e então trocou correspondência com algumas das trans. "Elas escreveram, o Papa respondeu. Elas trouxeram suas especialidades culinárias, Francisco agradeceu", lembrou.

O pároco da Beata Vergine Immacolata, uma pequena igreja em Torvajanica com vista para o mar, afirmou ainda que não imaginava que o argentino fosse morrer tão rápido.

"Quando o vi no domingo, eu esperava que, com o bom tempo, ele surgisse com alguma coisa e que pudéssemos vê-lo novamente nas audiências gerais na quarta-feira. Segunda-feira foi um dia de muita dor e profunda tristeza. Estou chorando", lamentou.

Por fim, Conocchia contou que, desde segunda-feira, tem "pensado em todas as pessoas que o Papa ajudou durante a pandemia na paróquia de Torvajanica", enfatizando que elas "perderam um ponto de referência, perderam uma certeza, uma pessoa que lhes deu tanto reconhecimento e ajuda material através da Esmoleria".

"Estão perdidas. Espero que na sexta-feira possamos saudá-lo juntamente com as meninas transexuais e alguns amigos homossexuais. Mas, acima de tudo, espero que as portas que o Papa abriu não se fechem e que os processos possam prosseguir com coragem e profecia", concluiu o padre italiano. 

Ansa - Brasil
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