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Os indígenas 3.0

28 out 2015 - 06h20
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As tradições ancestrais dos povos nativos se misturam nos Jogos Mundiais Indígenas, cuja primeira edição está sendo realizada em Palmas, no Tocantins, mas o espírito dos antepassados agora é registrado por smartphones, um fenômeno que revela o surgimento de uma geração de jovens indígenas "3.0".

Apesar da força de seus costumes, muitos índios já vêm fazendo parte há anos desta febre tecnológica, e os telefones de última geração, tablets e microcomputadores se transformaram em um elemento indispensável na rotina diária dos jovens nativos.

Anderson Iuri, um rapaz da etnia Manoki, navega no Facebook em um computador enquanto acompanha o início das competições, usando as roupas tradicionais de seu povo: cocar, um cinto feito com couro de um animal selvagem e uma pena de cerca de 30 centímetros atravessando seu nariz, evidenciando o contraste da mistura de suas tradições com os avanços do mundo ocidental.

O indígena de 21 anos confessa ser um viciado nas novas tecnologias, mas nem por isso deixa de lado as tradições de seu povo, original do Mato Grosso.

"A tecnologia nos ajuda a divulgar nosso povo, mostrá-lo nas redes sociais e a conhecer outros povos também, não só de nossa tribo", disse Iuri em entrevista à Agência Efe.

A chegada da internet em muitas aldeias - algumas contam com conexão à rede há mais de dez anos - permitiu que seus habitantes se aproximassem com mais frequência de outras culturas e importassem alguns costumes, como a jovem Marcilene, que gosta de ouvir música popular, especialmente sertanejo universitário.

Apesar dessa abertura, a jovem da tribo Pataxó considera improvável que as novas gerações venham a deixar de lado as tradições de seu povo: "isso está dentro de nós, não tem como perder".

Esse também é o pensamento do cacique da tribo Canela, José Lino Xihcarpo, de 51 anos, que foi testemunha da revolução tecnológica vivida em seu povo na última década.

"Os antepassados continuam sendo o mais importante. E isso não se pode perder. Está assegurado e forte", contou o chefe tribal enquanto acompanhava a competição de jikunahati (espécie de "futebol de cabeça") dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas.

Ele deixou o telefone em casa, mas seus "parentes", como os índios se referem a outros indígenas, captam cada momento das competições com seus smartphones. Hoje é a vez do arco e flecha e da corrida de revezamentos.

A tecnologia está onipresente nos jogos, mas o mesmo não ocorre nas mais de 300 etnias que existem no Brasil, explicou Ronaldo Kaingang, do Comitê Intertribal Memória e Ciência Indígena (ITC).

"Há povos indígenas que estão isolados, outros menos e alguns que estão próximos de centros urbanos. O impacto (da tecnologia) é diferente em relação à proximidade dos centros urbanos", observou Kaingang.

O indígena explicou que, assim como em qualquer lugar do mundo, a tecnologia apresenta seus riscos, mas ressaltou que os benefícios apresentados às aldeias dos povos indígenas são maiores que os problemas.

"(A tecnologia) Representou um grande avanço. Ela permitiu o contato com outras etnias e a difusão de conteúdos indígenas". "Somos parte de uma aldeia global, assim como toda a humanidade, mas com a cultura e a visão indígena", frisou Ronaldo.

O integrante do ITC acredita que os jogos mundiais ajudarão a romper os preconceitos e o desconhecimento que muitas pessoas têm sobre os indígenas.

E concluiu que os índios, assim como pensa o cacique Xihcarpo, precisam se adaptar ao presente sem perder a tradição.

EFE   
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