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Oriente Médio

Número de mortos em Israel após ataque do Hamas passa de centenas

Israel declarou guerra neste sábado após ataque massivo do Hamas

7 out 2023 - 09h16
(atualizado às 21h40)
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Bombardeio em Israel
Bombardeio em Israel
Foto: Mohammed Salem

Passa de 530 o número de mortos nos conflitos em Israel que irromperam neste sábado, 7, no país do Oriente Médio. A imprensa internacional destaca ao menos 300 mortes foram registradas em Israel, e 232 na Faixa de Gaza, após o ataque massivo do Hamas ao país, que levou a uma resposta israelense sem precedentes em décadas. Também há registros de 1.104 feridos em Israel. Além disso, autoridades israelenses reportam 57 sequestros de israelenses levados para a Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou guerra após um ataque surpresa de grande escala do Hamas, usando mais de 5 mil foguetes. "Cidadãos de Israel, estamos em guerra, e não é só uma operação, é realmente uma guerra", disse Netanyahu, informando que ordenou a convocação de reservistas do Exército e uma resposta à guerra "impetuosidade e uma amplitude que o inimigo não conheceu até agora".

Soldados do Hamas
Soldados do Hamas
Foto: Reuters

"O inimigo pagará um preço que nunca precisou pagar. Venceremos", declarou o premiê.

"Diversos terroristas se infiltraram no território israelense desde a Faixa de Gaza. Os habitantes da área devem permanecer em suas casas", disse o porta-voz militar israelense. A infiltração ocorreu por terra, ar e mar, inclusive com o uso de parapentes.

Com a declaração de guerra, foi iniciada a "Operação Espadas de Ferro", com a convocação de dezenas de milhares de reservistas.

Segundo a imprensa local, homens armados chegaram a abrir fogo contra pedestres na cidade de Sderot. Também foram divulgadas imagens de prisões de soldados israelenses, e corpos de militares levados para Gaza, mas as informações ainda não foram confirmadas oficialmente. .

Segundo Netanyahu, em uma reunião extraordinária do Conselho dos Ministros do país, Israel tem três objetivos: Retomar o controle nas áreas onde forças inimigas se infiltraram, fazer com que o inimigo pague um preço enorme, e reforçar os outros fronts para que ninguém cometa o erro de se associar a essa guerra.

"Estamos em guerra, e na guerra é preciso manter o sangue frio. Apelo a todos os cidadãos para que se unam para atingir nosso objetivo final: uma vitória na Guerra", declarou.

A comunidade internacional iniciou uma onda de grande repercussão e, em sua maior parte, se solidarizou com Israel.

"Brasil não poupará esforços para evitar a escalada do conflito", diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais para lamentar a guerra que irrompeu neste sábado, 7, em Israel, e disse que o Brasil "não poupará esforços para evitar a escalada do conflito". 

"Fiquei chocado com os ataques terroristas realizados hoje contra civis em Israel, que causaram numerosas vítimas", escreveu o mandatário brasileiro. "Ao expressar minhas condolências aos familiares das vítimas, reafirmo meu repúdio ao terrorismo em qualquer de suas formas". 

"O Brasil não poupará esforços para evitar a escalada do conflito, inclusive no exercício da Presidência do Conselho de Segurança da ONU", acrescentou, mencionando o conselho que foi alvo de críticas em seu discurso na ONU. 

"Conclamo a comunidade internacional a trabalhar para que se retomem imediatamente negociações que conduzam a uma solução ao conflito que garanta a existência de um Estado Palestino economicamente viável, convivendo pacificamente com Israel dentro de fronteiras seguras para ambos os lados", completou. 

O Itamaraty divulgou uma nota condenando "a série de bombardeios e ataques terrestres". O texto diz que o governo brasileiro "expressa condolências aos familiares das vítimas e manifesta sua solidariedade ao povo de Israel".

"O Brasil lamenta que em 2023, ano do 30º aniversário dos Acordos de Paz de Oslo, se observe deterioração grave e crescente da situação securitária entre Israel e Palestina. Na qualidade de Presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil convocará reunião de emergência do órgão", anuncia o comunicado. "Ao reiterar que não há justificativa para o recurso à violência, sobretudo contra civis, o Governo brasileiro exorta todas as partes a exercerem máxima contenção a fim de evitar a escalada da situação". 

O Ministério das Relações Exteriores afirma ainda que não há, até o momento, notícia de vítimas entre a comunidade brasileira em Israel e na Palestina.

"O governo brasileiro reitera seu compromisso com a solução de dois Estados, com Palestina e Israel convivendo em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas. Reafirma, ainda, que a mera gestão do conflito não constitui alternativa viável para o encaminhamento da questão israelo-palestina, sendo urgente a retomada das negociações de paz", conclui o Itamaraty.

Repercussão pelo mundo

O coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Tor Wennesland, expressou preocupação pelos civis: "Condeno com veemência o ataque, que provocou cenas horríveis de violência e muitas vítimas. São ataques atrozes contra os civis e devem ser interrompidos imediatamente."

A Casa Branca também condenou o ataque: "Não há justificativa para o terrorismo. Estamos firmemente ao lado do governo e do povo de Israel", disse Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional.

Em nota, o governo americano disse que as autoridades de segurança do país informaram o presidente, Joe Biden: "O presidente continuará sendo atualizado e as autoridades ficarão em estreito contato com os parceiros israelenses".

A expectativa é de que Biden intervenha de alguma maneira ao longo do dia, possivelmente com um pronunciamento.

O ministro da Defesa americano, Lloyd Austin, disse que o Pentágono irá trabalhar para assegurar que Israel tenha "o que precisar para se defender".

"Acompanho de perto os desenvolvimentos em Israel. Nosso empenho pelo direito de defesa segue inabalável. Nos próximos dias o Departamento trabalhará para garantir que Israel possa proteger os civis da violência indiscriminada e do terrorismo", afirmou Austin.

O porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dylan White, disse que a aliança condena "os ataques terroristas do Hamas contra Israel, nosso parceiro".

"Nossos pensamentos estão com as vítimas e todas as pessoas atingidas. O terrorismo é uma ameaça fundamental para as sociedades livres e Israel tem o direito de se defender", declarou.

A presidente do poder Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, expressou "inequívoca condenação" e definiu os ataques como "terrorismo em sua forma mais desprezível". O comissário de Economia da UE, Paolo Gentiloni, também manifestou angústia e solidariedade a Israel.

O alto representante da União Europeia para Política Externa, Josep Borrell, escreveu: "Acompanhamos com angústia as notícias de Israel e condenamos sem reservas os ataques conduzidos pelo Hamas. Essas horríveis violências devem cessar imediatamente.  Com o terrorismo e a violência não se resolve nada".

O governo francês, em nota, disse: "A França condena com máxima firmeza os ataques contra Israel e sua população, expressa plena solidariedade a Israel e às vítimas desses ataques, e reafirma seu absoluto repúdio ao terrorismo e seu empenho pela segurança de Israel".

"Condeno firmemente os ataques terroristas e expresso plena solidariedade às vítimas, familiares e pessoas próximas", disse o presidente francês, Emmanuel Macron.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou: "O terrorismo não deveria ter lugar no mundo, é sempre um crime, não só contra um país específico ou contra as vítimas em si, mas contra a humanidade em geral e contra o mundo inteiro".

Por outro lado, Rahim Safavi, conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse: "Parabenizamos os combatentes palestinos. Estaremos ao lado dos combatentes até a libertação da Palestina e de Jerusalém".

Em Beirute, no Líbano, pessoas chegaram a comemorar nas ruas, tremulando bandeiras palestinas e dando outras demonstrações de solidariedade.

A Rússia busca mediar um cessar-fogo. O representante especial para o Oriente Médio e países africanos, e vice-ministro de Relações Exteriores, Mikhail Bogdanov, disse estar em contato com autoridades israelenses, palestinas e dos países árabes: "Se trata de uma recaída do conflito que dura 75 anos. Pedimos a paz". *Com informações da Ansa

Fonte: Redação Terra
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