Netanyahu diz que pôr câmeras na Esplanada Mesquitas beneficia Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, explicou neste domingo durante o conselho de ministros que seu país será beneficiado pela instalação de câmaras de vigilância na Esplanada das Mesquitas, após um acordo alcançado ontem com a Jordânia, mediado pelo secretário de Estado americano John Kerry.
"Israel tem interesse em pôr câmeras em todo o recinto do Monte do Templo (denominação judaica para a esplanada), primeiro para jogar por terra as acusações de que Israel muda a situação e, segundo, para mostrar de verdade de onde vêm as provocações e frustrá-las", assinalou o chefe do governo.
Netanyahu reiterou que seu país não quer mudar o 'status quo' do lugar, como acusam os palestinos, e destacou que o recinto "continuará a ser administrado como é agora, a ordem das visitas de judeus ao Monte do Templo se mantém. Não haverá nelas nenhuma mudança, como também não na ordem das rezas dos muçulmanos".
Ele mostrou sua esperança de que essas afirmações e as novas medidas de vigilância "ajudem a acalmar a tensão na região, pelo menos no Monte do Templo".
Em comunicado divulgado ontem à noite, Netanyahu também disse que seu país "reconhece a importância do Monte do Templo para os fiéis das três religiões monoteístas, judeus, muçulmanos e cristãos" e garantiu que "Israel continuará implementando sua política: os muçulmanos rezam no Monte do Templo. Os não-muçulmanos visitam o Monte do Templo".
Desta forma, ele se opôs as reivindicações da extrema direita israelense e de grupos nacionalistas judeus que pedem para orar no lugar, situado em território ocupado, o que os palestinos consideram uma provocação e uma mudança do 'status quo'.
Também ressaltou que os visitantes e os que veneram o complexo têm direito a fazê-lo "em paz, sem violência, sem ameaças, sem intimidação e provocação", em referência aos muçulmanos que repreendem os grupos judeus que visitam o lugar acompanhados por forças de segurança israelenses.
A região sofre desde o inicio do mês com uma onda de violência que tem como cenário a disputa sobre o acesso e o uso da esplanada.
Deste então houve dezenas de esfaqueamentos e tentativas feitas por palestinos contra israelenses e distúrbios e confrontos entre jovens palestinos e forças de segurança em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém que deixaram mais de 60 mortos, um terço deles agressores ou supostos agressores palestinos.
O secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou ontem um acordo entre Israel e Jordânia para estabelecer novas medidas sobre a gestão da Esplanada, que abriga as mesquitas de al-Aqsa e a Cúpula da Rocha e é o terceiro lugar mais sagrado para o islã e o primeiro para o judaísmo, que situa ali os históricos templos de Salomão e Herodes.