Margaret Tchatcher mandou cartão de Natal a Kadafi e Saddam
A década é 1980. Na Europa, o Reino Unido ainda pertence ao bloco ocidental de oposição à União Soviética. Na África, há nem duas décadas o tal de Muammar Kadafi ascendeu à liderança total na Líbia, e, no Iraque, um Saddam Hussein acabou de assumir a presidência em Bagdá.
Hoje, estamos no ano 2012. Em Londres, a política (ainda) é de defesa global do difamado avanço da democracia, o que ajudou na queda (e posterior morte) desse tal de Kadafi na Líbia. Em Bagdá, há oito anos que o dito Hussein teve seu país invadido pelos americanos - ainda os grandes alidados britânicos - e, alguns anos mais tarde, seu pescoço atado em uma corda.
Quem ocupa hoje o cargo de primeiro-ministro na Downing Street 10 é David Cameron, entusiasta dos povos livres e da Primavera Árabe. Imagine-se a reação dele ao ler, hoje, em matéria publicada no jornal The Guardian, a notícia de como sua audaz predecessora, Margareth Tchatcher, assim como outros líderes mundiais da "mão de ferro", viam o mesmo mundo árabe hoje abalado por ondas revolucionárias.
De acordo com o Guardian, Thatcher incluiu Kadafi e Hussein entre os tantos destinatários de seus diplomáticos cartões de Natal enviados no ano de 1981. "Ao líder da Grande Primeira Revolução de Setembro", dizia o memo natalino enviado ao líder morto em outubro do ano passado, em meio à guerra civil líbia, sob os auspícios da Otan, na sua cidade natal, Sirte.
Fora a História andou - e dentro também. O jornal inglês igualmente revela, nesse sábado, que, no mesmo marcante ano de 1981, a Dama de Ferro recebeu em encontro privado Rubert Murdoch, o grande magnata da mídia. Àquela época, Murdoch começava a erigir seu reino midiático, razão que o levou a fazer lobby junto à premiê. Hoje, de modo similar ao curso de Kadafis e Husseins, Murdoch viu seu império ruir a partir do escândalo de escutas ilegais, no ano passado.