Lançamento de foguetes contra Israel aumenta tensão
Um grupo desconhecido lançou nesta quinta vários foguetes do sul do Líbano contra o norte de Israel, em um ataque isolado que, no entanto, elevou a tensão regional pelos combates na faixa de Gaza.
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Fontes dos serviços de segurança libaneses confirmaram à Agência Efe que dois ou três foguetes Katyusha foram lançados do norte do povoado de Nakura, que está controlada pelo exército libanês e pela Força Interina da ONU para o Líbano (Finul).
O lançamento foi confirmado em comunicado pelo Exército libanês, que atribuiu a autoria a "um grupo desconhecido".
Por sua parte, o exército israelense respondeu com o lançamento de cinco projéteis contra o sul do Líbano, sem que houvesse informação sobre vítimas.
Além disso, responsabilizou "elementos palestinos interessados em levar o Líbano a uma guerra com Israel" pelo lançamento esta manhã de três foguetes contra a Galiléia, segundo indicou à EFE um porta-voz militar.
Israel informou que um dos foguetes feriu duas pessoas ao cair no teto de um asilo de idosos.
Este lançamento de foguetes de hoje foi o primeiro registrado na região desde que forças israelenses começaram a atacar a faixa de Gaza, cerca de 200 km ao sul, em 27 de dezembro.
Logo após ele, as autoridades libanesas começaram uma investigação para identificar os responsáveis, e as suspeitas apontam a grupos palestinos assentados no sul do país.
Um deles, a Frente Popular para a Libertação da Palestina-Comando Geral (FPLP-CG), não confirmou nem negou a autoria do disparo desses foguetes.
"Não confirmo nem nego o lançamento de foguetes, mas quero dizer que Israel não tem direito a perguntar sobre a origem dos foguetes", disse o porta-voz oficial da FPLP-CG, Anwar Raia, à emissora de TV Al Jazira, com sede no Catar.
"Quem puder lançar uma pedra contra a 'ocupação' (referindo-se a Israel) deve fazê-lo", insuflou Raia.
Em princípio, segundo fontes políticas, está descartada a possibilidade que o grupo radical xiita libanês Hezbollah esteja envolvido neste ataque.
Em 2006, o Hezbollah travou uma guerra contra Israel que causou 1.200 mortos libaneses e 160 israelenses.
"Posso afirmar que não foi nem o Hezbollah, nem Amal nem nenhum grupo libanês", disse à agência Efe Ali Hamedan, porta-voz do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, que pertence ao grupo xiita Amal, aliado do Hezbollah.
Hamedan assegurou que esperam o resultado das investigações do exército e da Finul, mobilizada no sul do país, para evitar um aumento da violência entre Líbano e Israel.
"Ninguém aceita o que aconteceu, não por proteger Israel, mas para preservar o Líbano, sua estabilidade e sua segurança", acrescentou.
O chefe do Hisbolá, Hassan Nasrallah, advertiu ontem que deixou abertas "todas as possibilidades" para responder a "qualquer agressão", se Israel decidir abrir uma nova frente no norte, na fronteira com o Líbano.
Nasrallah, no entanto, não especificou se seu grupo estaria disposto a atacar Israel a fim de aliviar a pressão militar israelense contra Gaza.
Por sua parte, porta-vozes do Hamas negaram também qualquer relação com este fato e, em declarações a emissoras libanesas, disseram que sua luta "acontece dentro da palestina".
Na área de onde foram jogados os foguetes há grupos palestinos supostamente vinculados à rede terrorista Al Qaeda.
Recentemente foram achados ali diversos foguetes "Katyusha", mas o Hezbollah negou ter relação com esse material de guerra.
Logo após o lançamento dos foguetes do território libanês, aviões de guerra israelenses penetraram no espaço aéreo libanês.
Por sua parte, o destacamento da Finul, cuja missão é evitar uma alta da violência entre Israel e Líbano, intensificou suas patrulhas na área.
A Espanha, que tem 1,1 mil soldados neste destacamento, informou de Madri que o contingente está calmo.
Segundo o Ministério de Defesa espanhol, Jean Ogassapian, as medidas de segurança seguem "altas, como sempre", sem que se tenha decretado por enquanto um nível de máximo alerta.
"As autoridades libanesas reconheceram a gravidade do incidente de hoje. Trata-se de um episódio perigoso", afirmou o ministro, em declarações à televisão.
Por sua parte, o primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, afirmou que o Líbano segue comprometido com as resoluções da ONU e rejeita que seu território volte a se transformar em um campo de batalha.
Siniora insistiu em que seu país não terminou ainda de curar as feridas da guerra de 2006 e não pode suportar outro conflito bélico.