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Jihadistas se retiram de bairros de Kobane após bombardeios

Dezenas de pessoas na Turquia fazem protesto contra o avanço jihadista na fronteira

8 out 2014
08h28
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Os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), que tentam conquistar a cidade curda de Kobane, ao norte da Síria, abandonaram alguns bairros, após bombardeios da coalizão liderada pelos Estados Unidos, afirmou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Bombardeios realizados pela coalizão na fronteira entre Turquia e Síria levantaram colunas de fumaças
Bombardeios realizados pela coalizão na fronteira entre Turquia e Síria levantaram colunas de fumaças
Foto: Lefteris Pitarakis / AP

"Os combatentes do EI tiveram que sair de alguns setores do leste de Ain al-Arab (nome árabe de Kobane) e da periferia sudoeste", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor da ONG.

Os jihadistas não estão mais presentes no oeste, mas mantêm as posições no leste da cidade e na periferia sul, de acordo com Rahman.

A coalizão internacional - liderada pelos Estados Unidos - voltou a bombardear os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) nesta quarta-feira. Uma fumaça escura era observada sobre uma colina da zona leste da cidade, cenário de conflitos dos últimos dias entre combatentes curdos e as forças do EI.

Durante a terça-feira, os aviões da coalizão também bombardearam em várias ocasiões as posições dos jihadistas na região e dentro da cidade, que tem o nome Ain al-Arab em árabe. O grupo EI entrou na segunda-feira à noite em Kobane, depois de quase três semanas de combates nas proximidades da cidade, que fica muito perto da fronteira com a Turquia.

Na terça-feira, os combates provocaram muitos danos no leste, oeste e sul de Kobane. A coalizão executou vários ataques ao redor da cidade. Mustafah Ebdi, jornalista e militante curdo, informou em sua página no Facebook que "as ruas do bairro de Maqtala, ao sudeste de Kobane, estão repletas de corpos de combatentes" do EI.

Protestos contra avanço de jihadistas aconteceram também em Ancara, na Turquia
Protestos contra avanço de jihadistas aconteceram também em Ancara, na Turquia
Foto: ADEM ALTAN / AFP

A ofensiva do EI, que conseguiu tomar 70 aldeias no caminho para Kobane, obrigou cerca de 300 mil pessoas a deixarem suas casas, e mais de 190 mil se refugiaram na Turquia.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou nesta terça-feira que "despejar bombas do ar não acabará com o terror."

"O terror não vai parar até que cooperemos por uma operação terrestre com os que travam combate no terreno", considerou Erdogan.

"Os meses se passaram e não conseguimos resultado algum. Kobane está prestes a cair", acrescentou o premiê turco diante de refugiados sírios em um acampamento de Gaziantep (sul da Turquia).

O avanço do EI no norte da Síria colocou a Turquia na linha de frente do conflito. Apesar de ainda não intervir militarmente, o Exército turco recebeu autorização do Parlamento para atuar no Iraque e na Síria, enquanto Estados Unidos e outros aliados da coalizão descartaram a mobilização de tropas terrestres.

Protestos contra assédio jihadista na Turquia deixam mortos
Quatorze pessoas morreram na noite de terça-feira na Turquia durante os protestos de manifestantes curdos contra o assédio jihadista à cidade curdo-síria de Kobane, informa a imprensa local nesta quarta-feira.

Homem fica ferido durante protestos em Istambul
Homem fica ferido durante protestos em Istambul
Foto: Emrah Gurel / AP

Embora não existam números oficiais, a agência "Anadolu" fixa momentaneamente o número em 12 vítimas, sendo oito delas na cidade de Diyarbakir, enquanto vários jornais falam em até 14 mortos.

Salvo um jovem que morreu na terça-feira na província de Mus devido à explosão de um botijão de gás, as mortes são consequência de confrontos de rua entre ativistas curdos de esquerda e militantes islamitas.

Os primeiros são simpatizantes da guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), enquanto os outros se identificam como seguidores da organização Hizbullah (sem relação com o partido libanês de mesmo nome), afirma o jornal "Hürriyet".

Essa organização, que na década de 1990 cometeu atos terroristas contra simpatizantes do PKK, supostamente com o apoio dos serviços secretos turcos, foi refundada em 2012 como partido com o nome de Hüda-Par.

O motivo dos protestos, que começaram na noite da segunda-feira, é a recusa do governo turco de socorrer a cidade sírio-curda de Kobani, assediada pelo grupo jihadista Estado Islâmico, ou de abrir sua fronteira para permitir que chegue ajuda.

A maioria das vítimas dos protestos morreram em tiroteios de rua e há dezenas de pessoas gravemente feridas internadas nos hospitais.

Houve oito mortos em Diyarbakir, a "capital" curda da Turquia, dois em Siirt, um em Batman e dois em Mardin, fora o jovem que morreu em Mus, segundo o "Hürriyet".

Em várias cidades da Turquia, incluídas Ancara, Istambul e Esmirna, houve protestos de grande tamanho, nas quais se levantaram barricadas e incendiaram ônibus. A Polícia interveio com o uso de gás lacrimogêneo e jatos d'água contra ativistas que lançavam paralelepípedos.

Em Diyarbakir "nenhuma das mortes se deve à atuação das forças de segurança", garantiu à agência "Anadolu" o ministro da Agricultura, Mehdi Eker.

Nesta cidade, as autoridades proibiram a saída à rua até o amanhecer da quinta-feira, enquanto em vários municípios de outras cinco províncias, o toque de recolher é "até que seja dada uma nova ordem".

Com informações da EFE e AFP.

Desvendando o Estado Islâmico Desvendando o Estado Islâmico

Fonte: Terra
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