Entenda o processo de escolha dos novos líderes da China
Xi Jinping será anunciado nesta quinta-feira como o novo secretário-geral do Partido Comunista chinês e, consequentemente, deve se tornar o novo presidente do país em março de 2013. A sucessão do atual número 1, Hu Jintao, para Xi marca a troca da quarta para a quinta geração de poder chinesa.
O processo de escolha dos novos líderes chineses tradicionalmente acontece no Congresso Nacional do Partido Comunista (PC) do país. Apesar de o órgão ter mais de 80 milhões de filiados, a decisão, de fato, é tomada pelo Comitê Central do Partido (371 membros), pelo Politburo (Elite do Partido Comunista formada por 25 pessoas) e pelo Comitê Permanente do Politburo (órgão de notáveis atualmente composto por nove membros). Na prática, o processo de sucessão na China consiste em uma renovação dos quadros do Partido Comunista em que os governantes, dos mais baixos aos altos escalões, escolhem seus sucessores.
A filosofia por trás deste processo é que nenhuma liderança nacional pode emergir sem ter experiência de governo anterior em esferas locais e regionais. A chegada ao poder no país ocorre a partir de uma longa jornada marcada pela ascensão através do reconhecimento dos méritos por colegas de partido. Desde 1977, o Congresso é realizado a cada cinco anos.
O novo líder do país, por exemplo, é um exemplo desse sistema de ascensão longa e contínua da elite do país. Filho de um ex-vice-primeiro-ministro que caiu em desgraça, Xi Jinping ingressou no PC em 1974 e começou sua carreira administrativa como gerente médio na província de Hebei, no início dos anos 80. Posteriormente, assumiu postos de maior relevância nas províncias de Fujian e Zhejiang, na próspera costa leste do país. Em 2007, foi nomeado secretário do Partido Comunista para Xangai, segunda maior cidade do país, e passou a integrar o Comitê Permanente do Politburo, principal órgão político do país. Ele chegou à vice-presidência um ano depois.
Em 2012, a escolha dos novos líderes do país ficou a cargo do 18º Congresso do PC, que chegou ao fim nesta quarta-feira. Apesar de a decisão ter sido tomada a portas fechadas já se sabe que o atual vice-presidente do país, Xi Jinping, será alçado à presidência do país e ao posto se secretário-geral do PC, acumulando assim os poderes executivo e ideológico da China. A escolha do novo primeiro-ministro e chefe do governo do país também resulta de um processo de ascensão direta, Li Keqiang, atual vice-premiê, assumirá no lugar de Wen Jiabao. Os novos integrantes do Comitê Permanente do Politburo também serão escolhidos, e especula-se que o número seja diminuído de nove para sete membros no próximo quinquênio.
Troca de gerações
O controle do poder político na China costuma ser contado por gerações e está ligado ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista chinês. A primeira geração é considerada o período de Mao Tsé-Tung à frente do PC e como líder máximo do país. O cargo de presidente da República Popular da China - a China comunista - foi criado por Mao. No princípio do regime comunista chinês, década de 40 e início dos anos 50, não existia a figura de presidente. O cargo executivo foi criado pelo "Grande Timoneiro", como Mao era conhecido, em 1954 e ocupado por ele mesmo até 1959.
Em 1959, ainda como líder do país, Mao indicou para o seu lugar na presidência Liu Shaoqi, um dos líderes da revolução comunista, que ocupou o cargo por dois mandatos até 1968. Ele foi destituído da função por Mao por sua atuação na Revolução Cultural. Esta separação entre o cargo de secretário-geral e a presidência perduraria até a morte de Mao e durante a segunda geração de líderes comunistas da China.
A segunda geração é considerada o período que sucedeu a morte de Mao e a ascensão de Deng Xiaoping ao comando do partido. A grande mudança na estrutura de poder da China ocorreu quando Deng, que nunca assumiu o cargo de chefe de Estado chinês, definiu que o seu sucessor acumularia o cargo de secretário-geral do Partido e a presidência do país.
Esta acumulação de poder valeu para a terceira, Jiang Zemin (1993-2003), e quarta gerações Hu Jintao (2003-2013). O novo líder chinês também terá as mesmas credenciais. Oficialmente, Xi Jinping assumirá o poder na China por um mandato de cinco anos, mas a expectativa, antes mesmo da transferência de poder, é que a quinta geração tenha os mesmos dez anos de duração que as duas que a antecederam.