Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Oriente Médio

Eleição na Cisjordânia tenta estreitar distância da democracia palestina

Compartilhar

Os palestinos votaram em eleições na Cisjordânia ocupada por Israel pela primeira vez em seis anos neste sábado, mas a escolha limitada de candidatos colocou-os fora do passo das revoluções democráticas no resto do mundo árabe.

Os resultados das urnas locais devem reafirmar o partido Fatah, apoiado pelo Ocidente e de maioria secular, que administra um governo de facto em fatias de terra não policiadas por Israel, frente a um boicote de seu arquirrival islamista, o Hamas.

Enquanto levantes fizeram governos árabes do Marrocos ao Egito acomodarem partidos islamistas há muito tempo suprimidos, o governo de um único partido na Cisjordânia persiste com a rixa do Fatah com o Hamas, mais militante e anti-Israel, que vem governando a Faixa de Gaza desde que os dois grupos entraram em confronto em 2007.

"Não reconhecemos a legitimidade dessas eleições e pedimos que elas sejam interrompidas a fim de proteger o povo palestino e proteger a sua unidade", disse o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh. Haniyeh, que assumiu o cargo quando o Hamas ganhou uma surpreendente maioria na eleição parlamentar em 2006 - um resultado anulado pela guerra civil que se seguiu um ano depois - condenou a última votação como "eleições unilaterais removidas de um consenso nacional".

O Fatah finalmente conseguiu encontrar um tempo oportuno para as eleições locais, repetidamente adiadas. O partido superou o Hamas nas votações universitárias em toda a Cisjordânia no início deste ano. Pesquisas de opinião mostram que o apoio para o grupo islamista enfraqueceu desde que ele começou a penosa tarefa de governar a empobrecida e lotada Gaza.

Sem a participação de Gaza na votação de sábado e com a maioria dos moradores da Cisjordânia morando em regiões onde assembleias locais governam sem contestação, a eleição foi menos significativa do que nos anos anteriores.

Mas fissuras dentro do Fatah provocam algum suspense. contagem final de votos deve sair até terça-feira. Segundo a Comissão Eleitoral Central Palestina, cerca de 54 por cento do meio milhão de eleitores que podem votar participaram - bem menos do que os 70% previstos pelo governo da Cisjordânia.

Refletindo o golpe do pedido de boicote do Hamas, o comparecimento em Hebron, um bastião político islamista, foi de apenas 33,7%. O clima nos distritos eleitorais eficazes e bem policiados em escolas e prédios públicos em toda a Cisjordânia foi de desânimo. Os palestinos expressavam melancolia por suas divisões e pela permanência da ocupação israelense, que já dura 45 anos. "Soube que o bloco Fatah era formado por boas pessoas, então votei neles", disse Amani, de 29 anos, que não quis dar o sobrenome, secando com um pano seu dedo indicador manchado com a tinta roxa dos locais de votação.

"Acho que no fim todos os partidos têm seus próprios interesses políticos e financeiros em mente. Mas é meu dever votar, para que eu possa dizer que fiz a minha parte", ela falou.

Cedo para a democracia

O presidente palestino e chefe do Fatah, Mahmoud Abbas, enfatizou um legado de democracia enquanto votava no centro de Ramallah, a sede de seu governo. "Esperamos ser vistos por nossos irmãos em Gaza e em toda parte no mundo árabe como aqueles que primeiro embarcaram na democracia, e continuaremos nesse caminho e esperamos que todos nos sigam", falou aos jornalistas.

Os palestinos tiveram suas primeiras eleições parlamentares em 1995, algo raro entre os países árabes na época e um passo positivo depois dos acordos interinos de paz de Oslo com Israel no início daquela década. Mas a paz permanente se mostrou elusiva - ilusória, dizem muitos palestinos - e grande parte da liderança da Cisjordânia é formada por autoridades veteranas do auge de Oslo.

A Autoridade Palestina de Abbas enfrenta desafios cada vez maiores a sua legitimidade. A dependência da ajuda econômica externa abriu uma crise financeira que explodiu em protestos de rua em cidades por toda a Cisjordânia no mês passado.

Anos de aprisionamento e marginalização de ativistas do Hamas na Cisjordânia aprofundaram o quase monopólio do Fatah no poder. Uma campanha agressiva para acabar com autoridades de segurança insubordinadas e corruptas nos quadros do Fatah este ano estreitou ainda mais o círculo interno da facção.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra