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Bombardeio na Síria teria deixado 250 mortos, segundo ONG

Nações Unidas e outras organizações internacionais alertam para situação do leste de Ghouta, região próxima à capital e alvo de conflitos entre governo e rebeldes.

20 fev 2018
23h59
atualizado em 21/2/2018 às 08h00
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O número de mortos em dois dias de bombardeios pelo governo da Síria a uma região controlada por rebeldes já chega a 250, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (SOHR, na sigla em inglês).

Criança caminha perto de construções destruídas por ataques na cidade de Douma; ONU pediu cessar-fogo para ajuda humanitária
Criança caminha perto de construções destruídas por ataques na cidade de Douma; ONU pediu cessar-fogo para ajuda humanitária
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Dentre as vítimas fatais, segundo o observatório, estariam mais de 50 crianças. Os ataques por ar e artilharia atingiram o leste de Ghouta, região nos arredores da capital síria, Damasco.

Ainda segundo a organização, baseada no Reino Unido, é o número mais alto de mortes em 48 horas desde o ataque químico em 2013 que deixou mais de 1.200 pessoas feridas, também em Ghouta.

Já as Nações Unidas advertiram que a situação está "fugindo do controle" e, segundo um porta-voz, pelo menos seis hospitais da região foram atingidos entre segunda e terça-feira.

O exército sírio não comentou os registros de mortes no leste de Ghouta, mas confirmou ter feito "ataques de precisão".

O que está acontecendo em Ghouta?

Forças pró-governo, apoiadas pela Rússia, intensificaram os esforços para retomar o último grande reduto dos rebeldes na Síria na noite de domingo.

Segundo organizações que atuam no local, pelo menos dez cidades e aldeias da região foram alvo de um novo bombardeio nesta terça-feira.

A ONU pediu um cessar-fogo para que a chegada de ajuda humanitária e evacuação de feridos.

Além de centenas de mortos e feridos, hospitais em Ghouta também tiveram funcionamento afetado por danos estruturais após bombardeios
Além de centenas de mortos e feridos, hospitais em Ghouta também tiveram funcionamento afetado por danos estruturais após bombardeios
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Quão ruim é a situação?

Um médico local disse à União das Organizações de Cuidados Médicos (UOSSM, na sigla em inglês) que a situação em Ghouta é "catastrófica".

"As pessoas não têm para onde se voltar", disse ele. "Elas estão tentando sobreviver, mas a fome decorrente do cerco as enfraqueceu significativamente".

O coordenador da ONU na Síria, Panos Moumtzis, disse que ficou "consternado" ao saber de relatos de que hospitais teriam se tornado alvos deliberadamente, alertando que tais ataques podem configurar crimes de guerra.

Além disso, desde novembro, o governo permitiu a entrada de apenas um comboio de ajuda humanitária no leste de Ghouta - o que agrava a escassez de alimentos por ali.

Crianças em Ghouta são vítimas não só dos bombardeios, mas também da desnutrição
Crianças em Ghouta são vítimas não só dos bombardeios, mas também da desnutrição
Foto: EPA / BBC News Brasil

Um pedaço de pão agora é 22 vezes mais caro do que em todo o país e 12% das crianças com menos de cinco anos estão com desnutrição aguda.

O leste de Ghouta é dominado pela facção islâmica Jaysh al-Islam. Mas a Hayat Tahrir al-Sham, uma aliança jihadista com origens ligadas à al-Qaeda, também ocupa a região.

O que mais está acontecendo na Síria?

Nesta terça-feira, forças pró-governo entraram no enclave curdo de Afrin, ao sul da fronteira turca.

A Turquia está tentando expulsar as milícias curdas, que têm autonomia parcial na área e pediram ajuda às força militares sírias.

A Síria classificou a ofensiva turca como um "ataque flagrante" à sua soberania - mas a Turquia insistiu que não vai recuar.

As forças do governo sírio também estão realizando ofensivas na província de Idlib, no noroeste do país.

Segundo a ONU, mais de 300 mil pessoas foram deslocadas pelos combates em Idlib desde dezembro.

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