Ataque talibã contra jovem Malala mudou o Paquistão, diz pai
O Paquistão se levantou após o ataque contra a jovem Malala Yousufzai pelos talibãs, o que constitui virada para o país, declarou seu pai, Ziauddin Yousafzai, durante uma coletiva de imprensa após visitar a menina no hospital Birmingham, no centro da Inglaterra.
"Quando ela caiu, o Paquistão se levantou e o mundo também. Este foi um ponto de virada", considerou Yousafzai, que chegou na quinta-feira no Reino Unido acompanhado por sua esposa e dois filhos, de 8 e 12 anos. O pai de Malala, que visitou a filha de 15 anos na noite de quinta-feira, afirmou que seu estado de saúde "melhora a uma velocidade encorajadora".
"Estamos muito felizes. Ela recebe o tratamento certo no lugar certo na hora certa", acrescentou durante a coletiva de imprensa que também teve a participação de seus filhos, mas não da mãe de Malala, intimidada pelas câmeras, de acordo com o seu marido. "Quando a vimos na noite passada, choramos de alegria", acrescentou, agradecendo às autoridades britânicas e paquistanesas pelo apoio.
Há alguns dias, Malala conseguiu ficar de pé com a ajuda da equipe médica pela primeira vez desde o atentado. Ela também está se comunicando com algumas notas por escrito, segundo o médico encarregado de seu tratamento.
Mensagens de apoio de admiradores e ativistas dos direitos humanos foram deixadas no site do hospital, a maioria delas elogiando sua campanha e rezando por sua recuperação. Doações para seu tratamento, que está sendo financiado pelo governo do Paquistão, estão sendo repassadas ao Hospital Queen Elizabeth.
Malala é conhecida no exterior por seu blog, hospedado no site da BBC, no qual denuncia os atos de violência cometidos pelos talibãs no Vale de Swat, onde chegaram a tomar o poder entre 2007 a 2009. No ano passado, a adolescente recebeu o primeiro Prêmio Nacional da Paz criado pelo governo paquistanês e foi indicada ao prêmio internacional de Crianças para a Paz da fundação Kids Rights.
Malala foi ferida por tiros no dia 9 de outubro, em Mingora, a principal cidade do Vale de Swat (noroeste do Paquistão), por homens armados que pararam o ônibus escolar em que ela estava como punição por defender os direitos das mulheres à educação, em um ataque que revoltou o mundo.
O Talibã reivindicou a autoria do atentado contra Malala, mas tentou se justificar pelo ato condenado de forma unânime pelos Estados Unidos, França, organizações dos direitos Humanos, governo e imprensa paquistaneses. "Malala foi alvo por seu papel pioneiro na defesa da laicidade e da chamada moderação", escreveu em um e-mail enviado à AFP um porta-voz talibã.