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Órgão europeu de fiscalização elogia progressos do Vaticano

Relatório do Moneyval aponta avanços na gestão financeira

9 jun 2021 11h23
| atualizado às 11h29
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O Comitê de Especialistas do Conselho da Europa (Grupo Moneyval), órgão de fiscalização financeira no continente, elogiou nesta quarta-feira (9) os "progressos" feitos pelo Vaticano ao adotar medidas de combate à lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Moneyval elogiou progressos feitos no combate à lavagem de dinheiro e encorajou Santa Sé a continuar nesse caminho
Moneyval elogiou progressos feitos no combate à lavagem de dinheiro e encorajou Santa Sé a continuar nesse caminho
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Em um relatório publicado em Estrasburgo, o grupo ainda incentiva a Santa Sé a continuar a reforçar esses mecanismos.

Segundo o documento, as autoridades vaticanas tem uma boa compreensão em alto nível "das ameaças e vulnerabilidades" na lavagem de dinheiro. Todavia, alguns casos "domésticos" soaram um toque de alerta "para um potencial abuso do sistema interno por parte de figuras de nível médio e alto para vantagens pessoais ou de outro tipo".

Sem citar diretamente, o Moneyval refere-se ao escândalo da compra de um prédio de luxo em Londres com dinheiro do Óbolo de São Pedro, órgão que distribui o dinheiro para obras da caridade do papa Francisco. Nesse caso, um cardeal de alto nível, Angelo Becciu, foi "convidado" a se aposentar de suas funções por suposto envolvimento no esquema.

Segundo o órgão europeu, casos desse tipo "não foram levados em consideração rapidamente na avaliação do risco nacional". Entre os pontos de risco citados, estão os próprios "insiders", os funcionários do Vaticano, além da "histórica carência de pessoal nas forças da polícia e de ação penal", mesmo que o documento reconheça que, nos últimos anos, "foram feitos avanços" nesse sentido.

O Moneyval ainda destaca que as investigações contra a lavagem de dinheiro feitas no período entre 2013 e 2020, acabaram tendo suas análises atrasadas por conta das respostas tardias das contrapartes e porque os investigadores financeiros "não são suficientemente especializados".

"Considerando que as autoridades competentes foram eficientes na busca e apreensão dos itens, existe uma notável discrepância entre as quantidades denunciadas e as confiscadas", ressalta ainda.

Para o grupo do Conselho da Europa, o Vaticano agora tem um "rigoroso programa de monitoramento das transações baseados no risco, que pede o recolhimento de informações e documentos, se necessário, durante uma relação comercial" e que os controles de vigilância "impedem que criminosos e seus associados entrem" em órgãos oficiais.

Em comunicado oficial, a Santa Sé afirmou que "acolhe com satisfação" o relatório publicado pelo Moneyval.

"Com o reconhecimento da eficácia das medidas adotadas por todos os organismos envolvidos no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, as autoridades da Santa Sé asseguram o próprio compromisso em continuar o percurso de plena conformidade com os melhores parâmetros internacionais e, a tal fim, avaliaremos com atenção as recomendações contidas no relatório", informa o Vaticano.

Desde que assumiu o Pontificado, o papa Francisco vem acelerando as reformas nos sistemas econômicos e financeiros do Vaticano, iniciadas por Bento XVI, para adequar a cidade-Estado a padrões internacionais. No entanto, durante o período e por conta da maior vigilância, vários escândalos financeiros emergiram, como o do cardeal Becciu. .
  

Ansa - Brasil   
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