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Orania, o enclave branco na África do Sul: separação ou racismo

Descubra por que Orania é considerada a cidade mais racista do mundo e entenda as polêmicas que envolvem sua existência na África do Sul

24 nov 2025 - 10h03
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Localizada na região central da África do Sul, Orania frequentemente chama a atenção do noticiário internacional. O município, fundado em 1991, está inserido em uma paisagem árida e pouco populosa, mas se destaca por características sociais e políticas que a tornam alvo de intensos debates sobre segregação racial. O nome da cidade volta e meia aparece atrelado à discussão sobre racismo e exclusão, principalmente por conta de suas regras de residência.

O que diferencia Orania de outros locais sul-africanos é a exclusividade étnica adotada por seus moradores. A cidade possui pouco mais de 2 mil habitantes, todos identificados como afrikaners, ou seja, descendentes de colonizadores holandeses que vieram para a África do Sul séculos atrás. Essa política seletiva de imigração foi um dos pilares para o surgimento de acusações que a rotulam como a cidade mais racista do mundo.

Como surgiu Orania e qual seu objetivo?

Orania foi criada no período de transição do apartheid para uma sociedade democrática. O projeto surgiu quando um grupo de descendentes de bôeres decidiu comprar uma antiga vila operária, com o propósito de preservar a cultura e o idioma africâner diante das profundas mudanças sociais e políticas no país. A premissa central era garantir um espaço onde apenas pessoas identificadas com determinada herança cultural pudessem residir, sob o argumento de autopreservação étnica e cultural.

Para justificar a política de admissão, os moradores alegam que Orania visa oferecer um ambiente seguro, onde os valores tradicionais do povo africâner possam ser cultivados sem as pressões do multiculturalismo predominante na África do Sul pós-apartheid. Entretanto, críticos apontam que essa prática reforça a segregação e discriminação, realidades massivamente combatidas durante décadas de luta contra o apartheid.

Criada para preservar a cultura africâner, a cidade é vista por críticos como um símbolo contemporâneo de segregação – Wikimedia Commons/Orania Beweging
Criada para preservar a cultura africâner, a cidade é vista por críticos como um símbolo contemporâneo de segregação – Wikimedia Commons/Orania Beweging
Foto: Giro 10

Por que Orania é considerada racista?

Essa reputação tem relação direta com as normas adquiridas pelos residentes locais. Apenas pessoas brancas com ascendência africâner podem se mudar para Orania, o que automaticamente exclui sul-africanos negros, asiáticos e de outras origens étnicas. Organizações internacionais e grupos de direitos humanos enxergam nessa política uma continuidade das práticas separatistas do antigo regime de apartheid, que vigorou até 1994 na África do Sul.

  • Critério étnico para residência: O estatuto da cidade limita a permanência de não-afrikaners.
  • Ausência de diversidade: Não se observa pluralidade étnica nas escolas, espaços de trabalho e vida pública.
  • Política de autogestão: Orania não depende de serviços do governo central, reforçando a ideia de isolamento voluntário.

Membros da comunidade argumentam que o projeto não tem como objetivo a hostilidade, mas sim a proteção de uma minoria cultural. No entanto, para muitos analistas, as práticas cotidianas e os requisitos de acesso ao município fortalecem seu estigma de exclusão.

Existe alguma cidade semelhante a Orania no mundo?

O caso de Orania é considerado raro, especialmente por se tratar de uma localidade reconhecida oficialmente e com certo grau de autonomia. Ao redor do planeta existem exemplos pontuais de comunidades fechadas ou cidades planejadas por grupos étnicos, porém pouquíssimas sustentam critérios tão explícitos baseados em herança cultural e raça.

Em outros países, certos enclaves étnicos foram motivados por conflitos religiosos, culturais ou mesmo econômicos, mas o contexto público e legal de Orania a torna única dentro da discussão sobre segregação contemporânea. Estes fatores ajudam a explicar por que o nome Orania é frequentemente associado a debates sobre racismo institucional no século XXI.

O caso de Orania levanta reflexões sobre liberdade cultural, inclusão e os desafios da reconciliação pós-apartheid – Wikimedia Commons/Orania Beweging
O caso de Orania levanta reflexões sobre liberdade cultural, inclusão e os desafios da reconciliação pós-apartheid – Wikimedia Commons/Orania Beweging
Foto: Giro 10

Quais são os impactos dessa segregação para a sociedade sul-africana?

A presença de uma cidade como Orania levanta questionamentos importantes sobre integração social num país marcado pelo passado do apartheid. Especialistas destacam que a existência de comunidades baseadas em exclusão dificulta o avanço de políticas de igualdade e justiça social. Além disso, a percepção de Orania serve como combustível para discussões globais sobre identidade, preservação cultural e direitos humanos.

  1. Orania simboliza desafios ainda presentes no caminho da reconciliação nacional.
  2. O tema reforça a urgência de debater o equilíbrio entre liberdade cultural e inclusão.
  3. O município serve de reflexão para outras sociedades sobre as consequências de políticas segregacionistas.

A cidade de Orania, por esses motivos, segue nas manchetes internacionais, evocando memórias do passado sudafricano e promovendo debates contemporâneos sobre racismo, identidade e convivência em sociedades democráticas.

Giro 10
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