'Nunca vou me arrepender', afirmou Messina Denaro após prisão
Chefe da Cosa Nostra negou crimes e envolvimento com a máfia
Após ter sido preso em janeiro passado, o líder mafioso Messina Denaro disse aos investigadores que "nunca vai se arrepender".
Ele prestou depoimento em 13 de fevereiro e o conteúdo da oitiva foi divulgado nesta terça-feira (8), mesma data em que ele foi internado no hospital San Salvatore, em L'Aquila, no centro da Itália, por complicações de um tumor no cólon.
O chefe da Cosa Nostra disse aos investigadores Maurizio De Lucia e Paolo Guido que nunca cometeu atentados e homicídios nem traficou drogas, mas admitiu ter tido contato com o homem apontado como seu antecessor no grupo criminoso, Bernardo Provenzano (1933-2016).
"Não quero me fazer de super-homem nem ser arrogante, mas vocês só me pegaram por causa da doença", disse Messina Denaro, que foi condenado à prisão perpétua e estava foragido desde 1993, mas foi capturado em um hospital de Palermo onde faria quimioterapia.
Ele também relatou que viveu "renunciando à tecnologia" enquanto pôde, sabendo que poderia acabar sendo exposto.
Ao explicar a mudança de rumo de sua fuga, citou um provérbio hebraico: "O melhor lugar para esconder uma árvore é numa floresta".
"Pensei: agora que estou doente, vou viver uma vida de árvore no meio da floresta. E se vocês forem prender todas as pessoas que tiveram contato comigo, vão ter que prender de duas a três mil pessoas", disse, em referência às investigações de pessoas que ajudaram em sua fuga.
Ele afirmou, no entanto, que enquanto vivia em Campobello di Mazara, na Sicília, poucas pessoas conheciam sua verdadeira identidade: "Lá eu me chamava Francesco. Jogava pôquer, comia em restaurantes".
Messina Denaro também disse aos investigados que se sente um "homem honrado" e que não é mafioso: "Só conheço a Cosa Nostra pelos jornais.
Talvez fizesse negócios com ela sem saber que era a Cosa Nostra".
Questionado sobre quais crimes teria cometido, respondeu: "Não aqueles pelos quais sou acusado, atentados, assassinatos.
Não tenho nada a ver. Mas podem me acusar de qualquer coisa, o que eu posso fazer?".
O mafioso também fez questão de negar envolvimento no assassinato do menino Giuseppe Di Matteo, que em 1993 foi raptado e depois morto e dissolvido em ácido como retaliação contra o pai dele, um ex-integrante da máfia que se tornou delator.
"Preciso dizer. É provavelmente a coisa mais importante para mim. Eu não sou santo, mas não tive nada a ver com o homicídio da criança. Não estou dizendo por uma questão de [pena de] 30 anos ou de prisão perpétua, é por uma questão de princípios.
Alguém matou, dissolveu no ácido e quem vai pagar no fim sou eu? Quantas injustiças vou ter que sofrer?", concluiu. .