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Nobel da Paz: a história do Programa Mundial da Alimentação, organização de combate à fome que recebeu o Nobel da Paz

O Prêmio Nobel da Paz deste ano foi concedido ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), com elogios aos seus esforços para combater a fome no mundo.

9 out 2020 - 18h35
(atualizado em 12/10/2020 às 05h26)
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O PMA deu assistência alimentar a 97 milhões de pessoas em 2019
O PMA deu assistência alimentar a 97 milhões de pessoas em 2019
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O Prêmio Nobel da Paz deste ano foi concedido ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), com elogios aos seus esforços para combater a fome no mundo.

O órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) também foi elogiado por "melhorar as condições para a paz" e prevenir o uso da fome como arma de guerra.

O Comitê do Nobel disse que o trabalho do PMA é "um esforço que todas as nações do mundo deveriam ser capazes de endossar e apoiar".

Conheça o trabalho do órgão e por que ele foi considerado tão importante.

Como, quando e por que foi criado?

Fundado em 1961, o PMA fornece assistência alimentar a comunidades vulneráveis, especialmente as afetadas pela guerra.

Foi criado a pedido do governo de Dwight Eisenhower, presidente dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, para fornecer ajuda alimentar por meio da estrutura da ONU, que tinha sido criada alguns anos antes e ainda estava em sua "infância"

O programa interveio em várias emergências globais desde então. Só no ano passado, o PMA ajudou cerca de 97 milhões de pessoas em 88 países, segundo dados da entidade.

Os governos mundiais são a principal fonte de financiamento — suas maiores doações vêm dos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. O programa também é financiado por empresas e indivíduos.

Gráfico mostra a atuação do programa
Gráfico mostra a atuação do programa
Foto: BBC News Brasil

Como é o trabalho de campo da instituição?

O objetivo geral do programa é fortalecer a paz e a estabilidade, promovendo a segurança alimentar e a melhoria da nutrição das pessoas no mundo.

Para este fim, o PMA está envolvido em uma série de projetos, incluindo alguns para fortalecer as cadeias de abastecimento de alimentos, os mercados locais e o combate aos efeitos dos problemas climáticos locais.

Duas de suas principais áreas de trabalho atuais são no Iêmen e no Sudão no Sul.

No Sudão do Sul, grandes áreas de terra perto do Rio Nilo são regularmente submersas por inundações sazonais
No Sudão do Sul, grandes áreas de terra perto do Rio Nilo são regularmente submersas por inundações sazonais
Foto: UN-IOM / BBC News Brasil

Iêmen

Sudão do Sul

O atual presidente do PMA, David Beasley, elogiou os funcionários que "colocam suas vidas em risco todos os dias"
O atual presidente do PMA, David Beasley, elogiou os funcionários que "colocam suas vidas em risco todos os dias"
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Que outros desafios o programa enfrenta?

Apesar de seus sucessos, os cortes de financiamento provaram ser um obstáculo ao trabalho do PMA em muitas áreas do mundo. Além disso, a epidemia de covid-19 também afetou muito o trabalho do projeto.

No início deste ano, o PMA alertou que a pandemia de coronavírus poderia causar fome generalizada "de proporções bíblicas".

A pandemia já prejudicou a capacidade do programa de trabalhar livremente em todo o mundo, à medida que os países fecharam suas fronteiras para conter a propagação do vírus.

Quais as críticas ao programa?

Apesar de ter vencido o Comitê do Prêmio Nobel, o PMA já esteve sob os holofotes no passado por causa de críticas que recebeu.

No início de sua história, em meio à Guerra Fria, o programa foi acusado de ter sido criado para impulsionar a economia dos Estados Unidos com a compra de sua produção agrícola. Desde então, o PMA tem tentado encontrar um equilíbrio entre comprar localmente e evitar qualquer inflação potencial dos preços dos alimentos.

Alguns economistas, como o queniano James Shikwati, também argumentaram que o PMA torna algumas nações excessivamente dependentes da ajuda externa.

E em uma pesquisa interna no ano passado, pelo menos 28 funcionários disseram que sofreram estupro ou agressão sexual enquanto trabalhavam para a agência da ONU. Mais de 640 pessoas disseram ter sido vítimas ou testemunhas de assédio sexual.

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