Missão militar europeia chega à Groenlândia após nova reunião nos EUA e ameaça de anexação por Trump
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse nesta quinta-feira (15) que existe um "desacordo fundamental" com os EUA sobre o futuro do território que Trump pretende anexar, após uma reunião entre dirigentes dos dois países. Nesta quinta, uma missão militar europeia chega ao território no Ártico.
Segundo a primeira-ministra dinamarquesa, os EUA e a Dinamarca concordaram em criar um grupo de trabalho, mas "isso não muda o fato de que existe um desacordo fundamental, pois a ambição americana de assumir o controle da Groenlândia permanece intacta", declarou, por escrito.
França, Suécia, Alemanha e Noruega anunciaram na quarta-feira (14) que vão enviar militares à ilha para uma missão de reconhecimento, que, segundo o Ministério francês das Forças Armadas, faz parte do exercício dinamarquês "Arctic Endurance". A missão de exploração ocorrerá de quinta a sábado.
Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, criticou a intenção de Trump de "conquistar" a Groenlândia, após a reunião na Casa Branca. "Não foi uma reunião fácil, e agradeço aos dois ministros (dinamarquês e groenlandês) por terem defendido claramente nossa posição e respondido às afirmações americanas", declarou Frederiksen.
O governo dinamarquês enviou reforços militares ao território autônomo e obteve apoio de vários países europeus para realizar a missão militar de exploração em apoio a Copenhague.
"Há consenso na Otan de que uma presença reforçada no Ártico é essencial para a segurança europeia e norte-americana", acrescentou Frederiksen.
Ela afirmou ainda que a Dinamarca investiu em novas "capacidades árticas" e comemorou o fato de vários aliados participarem de exercícios conjuntos na Groenlândia e arredores.
À la demande du Danemark, j'ai décidé que la France participera aux exercices conjoints organisés par le Danemark au Groenland, l'Opération Endurance Arctique.
De premiers éléments militaires français sont d'ores et déjà en chemin. D'autres suivront.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 14, 2026
Macron convoca conselho de defesa
O presidente francês, Emmanuel Macron, reuniu com urgência um conselho de defesa nesta quinta, no Palácio do Eliseu, após anunciar durante a noite o envio de militares franceses à Groenlândia. Macron declarou na plataforma X que decidiu que a França participará dos exercícios conjuntos organizados pela Dinamarca.
"Os primeiros militares franceses já estão a caminho. Outros seguirão", afirmou o presidente francês Emmanuel Macron na plataforma X. "É, claro, uma situação grave, e continuamos nossos esforços para impedir que esse cenário se concretize", acrescentou.
Donald Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos precisam da Groenlândia por razões de "segurança nacional", especialmente para conter os avanços da Rússia e da China no Ártico, e não descarta o uso da força para assumir o controle do território.
Segundo o presidente americano, a Groenlândia é "vital" para a construção do "Domo de Ouro", projeto americano de escudo antimísseis. Esta é a primeira vez que relaciona esse projeto à posse do território dinamarquês.
Durante as negociações, a Casa Branca publicou um desenho na plataforma X mostrando dois trenós puxados por cães, diante de duas possíveis rotas: uma para a América, simbolizada pela Casa Branca sob um céu azul, e outra para a China e a Rússia, representadas pela Muralha da China e pela Praça Vermelha em meio à escuridão.
Nesta quinta, a Rússia demonstrou "preocupação" com o anúncio do envio de tropas adicionais da OTAN à Groenlândia, acusando a aliança de militarizar o Ártico sob o pretexto de uma "ameaça imaginária" de Moscou e Pequim. "O Ártico deve permanecer um território de paz, diálogo e cooperação justa", afirmou a embaixada russa em Bruxelas.
Com agências