Ministro de Israel aprova assentamento que divide Cisjordânia e 'enterra' Estado palestino
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, aprovou na noite de quarta-feira (13) os planos para a construção de uma colônia que separaria Jerusalém Oriental da Cisjordânia ocupada. Segundo seu gabinete, a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado palestino".
O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, aprovou na noite de quarta-feira (13) os planos para a construção de uma colônia que separaria Jerusalém Oriental da Cisjordânia ocupada. Segundo seu gabinete, a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado palestino".
Ainda não está claro se o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apoia o plano, que visa reativar o projeto de assentamento E1, congelado desde 2012. Segundo palestinos e líderes internacionais, o projeto dividiria a Cisjordânia em duas partes, tornando inviável a criação de um Estado palestino contíguo.
O projeto aprovado agora pelo ministro de extrema direita Bezalel Smotrich prevê a construção de 3.401 casas para colonos israelenses entre o assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia, e Jerusalém.
A maior parte da comunidade internacional criticou o plano E1 e considera os assentamentos israelenses na Cisjordânia e a ocupação militar da região desde 1967 como ilegais.
"À beira do abismo"
A organização israelense "Paz Agora", que monitora a expansão das colônias judaicas no território palestino, afirmou que o projeto E1 representa uma ameaça grave à solução de dois Estados. "Estamos à beira de um abismo, e o governo está nos empurrando à toda velocidade", declarou a ONG em comunicado.
Apesar da aprovação ministerial, ainda são necessárias etapas administrativas, como o aval do Conselho Supremo de Planejamento de Israel. Se tudo correr como previsto, as obras de infraestrutura podem começar nos próximos meses, com a construção das casas daqui a cerca de um ano.
Em junho, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia impuseram sanções a Smotrich e a outro ministro de extrema direita, acusando-os de incitar repetidamente a violência contra palestinos na Cisjordânia.
Críticos do projeto alertam que ele isolaria Jerusalém Oriental - que os palestinos reivindicam como futura capital - e inviabilizaria qualquer acordo de paz duradouro.
Reconhecimento do Estado palestino
O movimento pelo reconhecimento do Estado palestino ganhou força desde o início do conflito em Gaza. Depois que a França indicou recentemente que reconheceria a Palestina na próxima Assembleia Geral da ONU, em setembro, o número de países favoráveis segue aumentando.
Ao todo, dos 193 países que integram a ONU, 145 já reconheceram ou pretendem fazê-lo, segundo levantamento feito pela agência de notícias AFP, justificando que a criação de dois Estados é a única solução para a paz na região. A Austrália foi o último deles.
"A paz será apenas temporária enquanto israelenses e palestinos não tiverem seus respectivos Estados permanentes (...) A Austrália reconhecerá esse direito do povo palestino", declarou o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, no início da semana.
Na contramão desse posicionamento, os Estados Unidos, aliado histórico de Israel, encabeçam a lista de países que não reconhecem a Palestina, acompanhados por outros aliados como Japão e Coreia do Sul, além da maioria dos países da Europa Ocidental - com exceção da Suécia e da Islândia.
O Estado palestino independente, com Jerusalém como sua capital, foi proclamado unilateralmente em 1988 pelo líder Yasser Arafat (1929-2004), durante a Primeira Intifada.
(RFI com agência Reuters)