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Mercado não pode prevalecer sobre solidariedade, diz Papa

Francisco voltou a cobrar acesso universal a vacinas anti-Covid

8 abr 2021
08h14
atualizado às 08h20
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Em uma carta ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o papa Francisco afirmou que as leis de mercado não podem prevalecer sobre a solidariedade na distribuição de vacinas anti-Covid.

Papa Francisco em sua bênção de Páscoa, no dia 4 de abril
Papa Francisco em sua bênção de Páscoa, no dia 4 de abril
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A mensagem dá sequência à benção de Páscoa do pontífice, quando ele cobrou acesso universal a imunizantes contra o novo coronavírus. Na carta, Jorge Bergoglio diz que chegou a hora de reconhecer que o mercado financeiro "não governa a si mesmo" e precisa estar sujeito a "leis e regulações que assegurem seu trabalho pelo bem comum".

"Nesse sentido, precisamos especialmente do financiamento de uma solidariedade da vacina, pois não podemos permitir que as leis do mercado tenham precedência sobre as leis do amor e da saúde de todos. Reitero meu apelo para que líderes governamentais, empresas e organizações internacionais trabalhem juntos para fornecer vacinas para todos, especialmente para os mais vulneráveis e necessitados", acrescenta o Papa.

Além disso, Francisco ressalta que uma "redução significativa" do peso da dívida dos países mais pobres seria um "gesto profundamente humano" que poderia ajudar no desenvolvimento e acesso a vacinas, saúde, educação e trabalho.

"Enquanto muitos países estão agora consolidando planos de recuperação individuais, permanece a necessidade urgente de um plano global que possa criar novas ou regenerar as instituições existentes. [...] Isso necessariamente significa dar às nações mais pobres e menos desenvolvidas uma parcela efetiva do processo decisório", diz.

O Papa também salienta que a noção de "recuperação" não pode se satisfazer com o retorno a um "modelo desigual e insustentável de vida social e econômica, no qual uma pequena minoria da população mundial detém metade de sua riqueza".

"A pandemia nos lembrou mais uma vez que ninguém pode se salvar sozinho. Se quisermos sair dessa situação como um mundo melhor, mais humano e solidário, é necessário conceber novas e criativas formas de participação social, política e econômica, sensíveis à voz dos pobres e empenhadas em incluí-los na construção do nosso futuro comum", afirma Bergoglio.

Segundo o portal Our World in Data, já foram aplicadas quase 700 milhões de doses de vacinas anti-Covid no mundo, mas quase 50% estão concentradas na Europa e na América do Norte. A África, que tem 15% da população do planeta, responde por menos de 2% das doses administradas até o momento.

O próprio FMI, em seu último relatório de projeções para a economia, afirmou que os países "vão precisar trabalhar juntos para garantir acesso universal" a vacinas contra o novo coronavírus. De acordo com o fundo, é "profundamente inquietante" que nações de alta renda que reúnem 16% da população do planeta tenham reservado 50% das doses oferecidas pela indústria farmacêutica.    

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