Leão XIV chega nas Ilhas Canárias com foco na defesa de migrantes
Esta é a última etapa da viagem apostólica do Papa à Espanha
O papa Leão XIV desembarcou nesta quinta-feira (11) nas Ilhas Canárias, terceira e última etapa de sua viagem apostólica à Espanha, um dia após celebrar uma missa histórica para abençoar a nova torre da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona.
O Airbus A320 da Iberia que transportava o pontífice decolou às 8h45 (horário local) do Aeroporto Josep Tarradellas-El Prat, em Barcelona, e pousou às 10h45 na Base Aérea de Gando, nas Ilhas Canárias.
Ao desembarcar, o Santo Padre foi recebido ao pé da escadaria por uma ampla delegação de autoridades civis, eclesiásticas e militares.
A comitiva era liderada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, acompanhado pelo líder do governo canário, Fernando Clavijo, além de três ministros do governo espanhol e representantes locais.
A visita possui um forte significado histórico já que Leão XIV é o primeiro Papa a visitar as Ilhas Canárias, arquipélago situado na costa noroeste da África e considerado uma das principais portas de entrada para migrantes que tentam alcançar a Europa.
A viagem concretiza um desejo de seu antecessor, o falecido papa Francisco, que manifestou diversas vezes a intenção de visitar a região, mas não conseguiu realizar a viagem.
O tema migratório ocupa lugar central na agenda da visita. Em 2024, um ano recorde para a rota atlântica, mais de 46 mil pessoas chegaram às Canárias em embarcações precárias, arriscando a vida na travessia marítima.
Hoje, o pontífice visitará o cais de Arguineguín, local que ganhou notoriedade internacional durante a crise migratória de 2020. Conhecido à época como o "cais da vergonha", o porto chegou a abrigar mais de 2,7 mil migrantes em tendas improvisadas e em condições consideradas desumanas durante a pandemia de Covid-19.
Nos últimos anos, porém, o espaço passou por um processo de transformação simbólica e social. Hoje, organizações humanitárias e a Igreja local o identificam como "Puerto Esperanza" (Porto da Esperança), em referência aos esforços de acolhimento e integração dos migrantes.
Durante a visita ao local, Leão XIV será acompanhado por Sánchez, Clavijo e pela ministra da Inclusão, Previdência Social e Migração e porta-voz do governo espanhol, Elma Saiz.
Ao longo de sua passagem por Madri e Barcelona, o Papa reforçou repetidamente a necessidade de respeito à dignidade humana dos migrantes.
No domingo passado, durante missa celebrada na Plaza de Cibeles, na capital espanhola, afirmou que "ninguém pode se ajoelhar diante de Deus e desprezar seu irmão".
Os dois últimos dias da visita apostólica serão dedicados a celebrações litúrgicas e encontros pastorais nas ilhas. A programação será encerrada amanhã (12) com uma missa de despedida em Santa Cruz de Tenerife, seguida por uma oração coletiva e uma homenagem floral em memória das pessoas que perderam a vida tentando atravessar o Atlântico em direção à Europa.
Após a cerimônia, Leão XIV retornará a Roma, concluindo sua primeira visita à Espanha, que tem sido marcada por fortes apelos à solidariedade, à acolhida e à defesa da dignidade dos migrantes.
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