Kadafi recruta 800 mercenários tuaregues para conter revolta
O ditador líbio Muammar Kadafi já recrutou pelo menos 800 combatentes separatistas tuaregues do Níger, Mali, Argélia e Burkina Fasso para esmagar a rebelião popular contra seu regime, revelaram fontes das forças de segurança nesta quinta-feira.
"Oitocentos tuaregues de Mali, Argélia e Burkina Fasso foram recrutados pela Líbia para lutar por Kadafi", afirmou uma fonte de segurança do Mali à AFP.
"Temos a mesma informação", indicou por sua vez uma fonte de segurança do Níger, acrescentando que, entre estes 800, apenas "alguns poucos são da Argélia e do Burkina Fasso." "As tropas são formadas basicamente por tuaregues malineses e nigerinos", disse.
Em Mali, um pequeno e discreto escritório de recrutamento foi montado em um hotel de Bamako, propriedade da Líbia, onde um diplomata líbio trabalha como agente de alistamento.
Mas fontes de segurança explicaram que o recrutamento também ocorre em alguns lugares do Sahel.
"Aqueles que estão indo agora são tentados pelo dinheiro fácil. São eles quem chamamos de mercenários", disse Abdou Salam Ag Assalat, presidente da Assembleia Regional de Kidal, no Mali.
"Entre estes jovens há ex-rebeldes tuaregues do Mali e do Níger, que pegaram em armas no Mali em 2006 e 2008", afirmou.
Segundo Salam Ag Assalat, na terça-feira houve um grande movimento de jovens tuaregues em direção à Líbia, sem estimar números. Por outro lado, "cidadãos tuaregues que vivem na Líbia querem fugir da briga" e voltar para casa no Mali, acrescentou.
Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi
Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.
Os relatos vindos do país não são precisos, mas tudo leva a crer que a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta do que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que Força Aérea líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido.
Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte.
Além do clamor das ruas, a pressão política também cresce contra o coronel Kadafi. Internamente, um ministro líbio renuncioue pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbiostambém pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade.