Justiça mantém prisão preventiva de dono de bar atingido por incêndio na Suíça
Tragédia na véspera de Ano Novo deixou 40 mortos e 116 feridos
Um tribunal na Suíça confirmou nesta segunda-feira (12) a prisão preventiva de Jacques Moretti, proprietário do bar Constellation, na estação de esqui Crans-Montana, palco de um incêndio que deixou 40 mortos e 116 feridos na véspera de Ano Novo.
Segundo a decisão judicial, o empresário permanecerá sob custódia por um período de três meses, em decorrência do risco de fuga, apontado pelo Ministério Público.
Moretti foi preso preventivamente na última sexta-feira (9), após interrogatório de 6h30 no Ministério Público de Sion, por "risco de fuga". Na ocasião, ele admitiu que uma porta de serviço situada no térreo do local estava trancada por dentro.
Além disso, Moretti se responsabilizou pela troca da espuma antirruído que teria permitido o rápido alastramento das chamas, possivelmente provocadas por fagulhas lançadas por velas pirotécnicas.
O advogado de algumas famílias das vítimas, Sébastien Fanti, afirmou à ANSA estar "apenas parcialmente satisfeito" com a prisão preventiva. "Podemos ficar apenas parcialmente satisfeitos. Cada um viverá com a sua própria consciência", disse, lembrando a dor das famílias.
"O pai de um adolescente que morreu queimado vivo me disse: 'Meu filho morreu como se estivesse na guerra. Então, de agora em diante, é guerra'", acrescentou Fanti.
Enquanto isso, a Procuradoria de Roma abriu inquérito por homicídio culposo múltiplo contra pessoas ainda não identificadas. O caso inclui ainda acusações de incêndio criminoso e lesão corporal grave agravada por violação das normas de prevenção de acidentes.
Os promotores italianos enviarão em breve uma carta rogatória às autoridades suíças solicitando lista de suspeitos e documentos das investigações preliminares, incluindo informações sobre Jacques e Jessica Moretti, proprietários do bar.
Paralelamente, a autópsia do corpo de Riccardo Minghetti, adolescente romano de 16 anos, está marcada para hoje. Outras cinco vítimas italianas terão seus exames conduzidos pelas promotorias de Milão, Bolonha e Gênova.
No caso de Giovanni Tamburi, também de 16 anos, o exame foi adiado para sexta-feira (16), após a exumação do corpo por ordem judicial, a fim de esclarecer as causas da morte.
Já entre os 12 jovens italianos hospitalizados no Hospital Niguarda após a tragédia, alguns apresentam melhora significativa. Guido Bertolaso, conselheiro regional de Bem-Estar da Lombardia, afirmou que "uma das vítimas está fora de perigo, mas a luta continua para os outros nove, que permanecem em estado crítico e precisarão de longo período na UTI e na unidade de queimados".
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, destacou a importância do tratamento no centro especializado, alertando que será necessário acompanhamento médico por anos.