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Itália analisará moções para dissolver grupo neofascista em 20/10

Partido incitou atos violentos durante protesto em Roma

12 out 2021 14h58
| atualizado às 16h40
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As moções apresentadas pelos partidos de centro e esquerda da Itália à Câmara e ao Senado para obrigar o governo a dissolver o movimento neofascista Força Nova (FN), que invadiu a sede do principal sindicato do país durante um protesto contra o certificado sanitário anti-Covid, serão debatidas no próximo dia 20 de outubro.

Partido incitou atos violentos durante protesto em Roma
Partido incitou atos violentos durante protesto em Roma
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O primeiro texto é de autoria do Partido Democrático (PD), maior legenda de centro-esquerda na Itália, enquanto o segundo é assinado por parlamentares da sigla de centro Itália Viva (IV) e do Partido Socialista Italiano (PSI). Ambos foram protocolados no Senado.

Na prática, as duas moções pedem a ativação de um artigo da Constituição Italiana que "proíbe, sob qualquer forma, a reorganização do partido fascista". "Não há dúvidas de que o Força Nova seja uma organização política de extrema direita inspirada no fascismo", diz o texto apresentado pelo PD.

Hoje, Luca Ciriani, líder do partido Irmãos da Itália (FDI) no Senado, informou também que a centro-direita apresentará em breve uma moção para pedir a condenação de todas as formas de violência e todos os regimes totalitários que inspiram.

Fundado em 1997, o FN recusa o rótulo de "neofascista", mas suas manifestações são sempre repletas de referências nostálgicas ao ditador Benito Mussolini e a símbolos do fascismo, como a saudação romana.

No último sábado (9), o grupo participou de um protesto violento em Roma contra a exigência de certificado sanitário anti-Covid em todos os locais de trabalho na Itália, regra que entra em vigor em 15 de outubro. Na ocasião, membros do FN invadiram a sede do principal sindicato da Itália e instaram a multidão atacar o Palácio Chigi, sede do gabinete do premiê Mario Draghi.

O ato provocou revolta na Itália e diversos políticos criticaram a atitude. O Ministério Público de Roma inclusive abriu um inquérito por instigação a cometer crime agravado pelo uso de ferramentas de informática em decorrência de um comunicado do grupo publicado em seu site. A plataforma foi bloqueada pelas autoridades italianas, e quatro líderes da sigla são investigados: Giuseppe Provenzale, Luca Castellini, Davide Cirillo e Stefano Saija.

De acordo com apuração da ANSA, a ministra do Interior da Itália, Luciana Lamorgese, apresentará na Câmara dos Deputados os acontecimentos ocorridos em Roma e em Milão durante a manifestação no próximo dia 19 de outubro.

Nesta terça, durante coletiva de imprensa após cúpula do G20 sobre o Afeganistão, Draghi foi questionado sobre a dissolução do partido. "O assunto é do nosso conhecimento, mas também dos magistrados que continuam as investigações e formalizam as suas conclusões. Agora estamos a refletir", disse o premiê italiano. 

Ansa - Brasil   
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