Incidente em avião movimenta campanha em Israel a menos de 1 mês de eleições
Oposição questionou vídeo de Netanyahu sobre possíveis ameaças de ataques
Um suposto alerta de sequestro em um voo da FlyDubai para Tel Aviv acirrou a campanha eleitoral em Israel a menos de um mês do pleito. O caso inflamou o embate entre o premiê Benjamin Netanyahu, que havia alertado sobre ameaças inimigas durante as eleições, e a oposição liderada por Yair Lapid e Gadi Eisenkot. Rivais acusam o primeiro-ministro de usar o medo como manobra política, enquanto aliados do governo sustentam que os opositores já haviam sido informados sobre os riscos crescentes de ataques.
O incidente envolvendo um avião da companhia FlyDubai que voava dos Emirados Árabes Unidos para Tel Aviv, que gerou um alerta por possível sequestro, reacendeu a disputa política em Israel a menos de um mês das eleições de 27 de outubro.
O episódio ocorreu em um contexto de temor crescente de um novo ataque contra o país, menos de três anos depois dos atentados terroristas cometidos pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Após o incidente desta quarta-feira (30), voltaram as acusações e suspeitas entre governo e oposição, que já estavam na pauta devido a um vídeo no qual o premiê Benjamin Netanyahu, que tenta a reeleição, alertava sobre possíveis ataques no período eleitoral.
"Há sinais de que nossos inimigos tentarão nos atacar em vista das eleições. Não se coloquem contra nós, nem agora nem nunca. Vamos alcançá-los onde quer que estejam e quando for necessário", afirmou o primeiro-ministro na gravação, registrada em uma base militar na última terça (29).
As declarações provocaram reação imediata dos adversários. O partido Yashar, do principal rival de Netanyahu nas urnas, Gadi Eisenkot, exigiu que o líder da oposição, Yair Lapid, fosse informado de imediato sobre qualquer nova ameaça à segurança.
"Se as declarações de Netanyahu estão corretas, é necessário informá-lo imediatamente", afirmou a legenda em sua conta na rede social X, levantando a suspeita de que o vídeo fosse uma manobra política para influenciar as eleições.
Lapid afirmou posteriormente que participou de uma reunião de segurança com Netanyahu na terça-feira à noite, mas garantiu que não recebeu informação sobre um possível ataque aéreo. "Nada parecido com o incidente desta manhã surgiu durante a reunião de segurança com o primeiro-ministro. Nenhuma referência, nenhuma menção, nenhuma indicação", escreveu no X, acusando o governo de usar a segurança novamente com fins políticos.
Segundo o Canal 12, no entanto, uma fonte próxima a Netanyahu negou a versão de Lapid e afirmou que a Secretaria Militar havia informado o opositor, no dia anterior, sobre um "aumento significativo" da ameaça de possíveis ataques no exterior, com uma "magnitude não registrada há anos".
Ao longo do dia, o confronto político acabou ofuscado pelo desenrolar do incidente aéreo. Eisenkot manifestou nas redes sociais seu reconhecimento aos israelenses que evitaram que o avião da FlyDubai terminasse em queda. Lapid também informou ter solicitado informações urgentes ao gabinete do primeiro-ministro.
"Quero entender se as ameaças são reais e, nesse caso, como o primeiro-ministro está se preparando desta vez para garantir que as eleições transcorram sem problemas", afirmou. .
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