As denúncias de lesão cerebral que fizeram parque Six Flags fechar montanha-russa X2 na Califórnia
Centenas de passageiros teriam se ferido no X2, montanha-russa cujos assentos giravam 360 graus
O parque Six Flags Magic Mountain fechou definitivamente a montanha-russa X2 após processos e relatos de centenas de visitantes sobre graves lesões cerebrais, além da morte de um jovem em 2022. Embora a empresa afirme que a atração passou por testes, advogados criticam a demora na decisão. O debate sobre a segurança desse tipo de brinquedo também repercute no Brasil, onde a polícia investiga o caso de uma jovem que sofreu traumatismo craniano após andar na Montezum, no Hopi Hari.
O parque de diversões Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, nos Estados Unidos, anunciou o fechamento definitivo de uma de suas montanhas-russas mais populares após mais de 100 pessoas relatarem ter sofrido lesões cerebrais depois de andar no brinquedo.
Com assentos que giram 360 graus, a X2 era uma das principais atrações do parque e costumava atrair longas filas. A montanha-russa está fechada desde julho deste ano.
A Six Flags afirmou que o brinquedo havia sido aprovado em uma série de testes de segurança, mas decidiu desativá-lo definitivamente por considerar que essa era "a coisa certa a fazer".
O anúncio veio após ações judiciais e reportagens com relatos de pessoas que afirmam ter sofrido lesões cerebrais depois de andar na X2. Para um escritório de advocacia que representa parte dos autores dos processos, a decisão veio "tarde demais" para seus clientes.
Ao anunciar o fechamento definitivo na terça-feira (29/9), Brian Oerding, presidente do Six Flags Magic Mountain, disse: "A segurança das atrações é um dos pilares do nosso negócio, e levamos a sério qualquer abalo na confiança dos visitantes".
O escritório Dordick Law Corporation, que ajuizou ações cíveis contra o parque, afirmou ter sido procurado por cerca de 400 pessoas que relataram lesões que acreditavam ter sido causadas pela montanha-russa.
"Elas foram à X2 em busca de emoção, mas saíram com graves lesões cerebrais", afirmou o escritório em nota. "Algumas precisaram de cirurgias de emergência no cérebro. Outras ainda tentam retomar a vida que tinham antes."
O escritório disse considerar positivo o fechamento da atração para proteger futuros visitantes, mas ressaltou que a medida "não faz nada por quem já sofreu lesões".
Inaugurada em 2002 com o nome X, a montanha-russa fechou poucos meses depois para a correção de falhas no projeto, segundo o jornal americano Los Angeles Times. Em 2007, a atração voltou a fechar, dessa vez para a substituição dos trens por modelos mais leves.
A montanha-russa reabriu no ano seguinte, rebatizada de X2. Desde então, mais de 16 milhões de pessoas passaram pela atração, segundo o parque.
Para o escritório que representou a família de Christopher Hawley, de 22 anos, que morreu após andar na X2 em 2022, o fechamento é insuficiente.
"A família Hawley está aliviada ao saber que a Six Flags finalmente vai fechar a X2. Mas isso não muda o fato de que Christopher morreu por causa de uma montanha-russa perigosa que continuou em funcionamento por quase duas décadas", afirmou o advogado Brent Wisner, do escritório Wisner Baum LLP, em nota à BBC.
Em agosto, a família de Hawley e o parque fecharam um acordo no processo que buscava responsabilizar a empresa pela morte do jovem.
"Essa tragédia é irreversível", afirmou Wisner. O advogado defendeu mudanças na legislação, regras para prevenir novos casos e fiscalização efetiva pelas autoridades.
"Não podemos esperar que empresas que priorizam o lucro façam o que é certo só depois de tantas pessoas terem sofrido lesões", acrescentou Wisner. "Esperamos que a atração que substituir a X2 seja segura."
Investigação sobre suspeita de lesões no Hopi-Hari
No Brasil, o debate sobre a segurança de montanhas-russas foi reacendido pelo caso de Júlia Bossoni, de 28 anos, que pode ter sofrido traumatismo craniano após andar na montanha-russa Montezum, do Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São Paulo.
Após andar na montanha-russa pela segunda vez, a jovem voltou à plataforma desacordada e com convulsões, ficou 57 dias internada, passou por sete cirurgias e perdeu parte dos movimentos.
O episódio ocorreu em abril deste ano.
Segundo laudo médico citado pela família a veículos de imprensa brasileiros, a lesão ocorreu por um "mecanismo de contragolpe", em que movimentos bruscos do brinquedo podem fazer o cérebro atingir a parede interna do crânio, provocando uma lesão no lado oposto ao impacto. Não teria havido pancada direta na cabeça de Bossoni.
O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
O parque afirma que a atração possui certificação internacional, passa por inspeções periódicas e segue as normas de segurança.
Em nota enviada ao programa Fantástico, da TV Globo, o Hopi Hari afirmou que aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração em 2026, sendo a mais visitada do parque e "o Ministério Público emitiu parecer [em agosto de 2026] sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha-russa ou qualquer negligência".
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