Presidente do BCE diz que "não seria uma boa ideia" concorrer à Presidência da França
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, descartou disputar a Presidência da França em 2027, citando a idade e a alta exigência do cargo. Ela alertou sobre a situação financeira crítica do país, cuja dívida beira 120% do PIB, defendendo corte de gastos, desburocratização e reformas trabalhistas e previdenciárias. Apesar do cenário francês delicado, Lagarde demonstrou otimismo com a estabilidade do sistema financeiro europeu, avaliando-o como mais robusto que nas crises anteriores.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que "não seria uma boa ideia" concorrer às eleições presidenciais da França em 2027, declarando ao jornal La Croix nesta quarta-feira que, caso decidisse deixar o cargo antecipadamente em 2027, isso ocorreria apenas por alguns meses.
"Isso não seria uma boa ideia de forma alguma", disse Lagarde, segundo a reportagem. "Primeiro, há a questão da vitalidade, da energia e da força. Há também uma sensação inevitável de sacrifício nesse tipo de compromisso. E eu tenho 70 anos."
Os comentários de Lagarde parecem pôr fim às especulações de que ela poderia deixar o BCE antecipadamente para concorrer à Presidência da França no ano que vem.
A membro do BCE Isabel Schnabel renunciou na semana passada para assumir um cargo de alto escalão no Fundo Monetário Internacional, dando início a uma longa reorganização na cúpula da instituição financeira mais poderosa da Europa.
Lagarde afirmou que a França se encontra atualmente em uma situação financeira perigosa.
"Quando sua dívida se aproxima de 120% do PIB, sem uma trajetória clara para controlar seu crescimento, isso é um problema sério", disse ela. "São necessários um caminho crível a seguir, determinação coletiva e reformas para restaurar a confiança."
Ela disse que a França precisa reduzir a burocracia, aprofundar as reformas no mercado de trabalho e lidar com um sistema de aposentadorias que está sob pressão devido ao aumento da expectativa de vida.
Ela se mostrou mais otimista quanto à solidez do sistema financeiro europeu.
"Não estamos nem em 2008 nem em 2011: o sistema financeiro europeu está muito mais robusto", disse ela, observando que países como Grécia, Portugal e Irlanda, que passaram "por crises muito dolorosas, colocaram suas finanças públicas em ordem... e, desde então, voltaram a apresentar um crescimento que, muitas vezes, está acima da média".
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