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Incêndios florestais podem prejudicar chuvas em cinturão agrícola sul-americano, alertam cientistas

9 out 2019
13h10
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Os incêndios florestais que devastaram áreas da Bolívia e do Brasil neste ano podem prejudicar a distribuição das chuvas nas regiões produtoras de grãos e carne bovina da América do Sul de maneiras imprevisíveis durante anos, disse um cientista e meteorologista.

Incêndio atinge terra indígena Tenharim Marmelos, na floresta amazônica
15/09/2019 REUTERS/Bruno Kelly
Incêndio atinge terra indígena Tenharim Marmelos, na floresta amazônica 15/09/2019 REUTERS/Bruno Kelly
Foto: Reuters

Chuvas recentes nos dois países ajudaram a apagar os incêndios, que provavelmente foram provocados por agricultores e fazendeiros usando métodos agrícolas de corte e queimada.

Mas eles destruíram vastas porções de floresta que garantem a precipitação na região, ameaçando um sistema de nuvens da Amazônia conhecido como "rios aéreos" que distribui 23 bilhões de metros cúbicos de água em toda a América do Sul a cada ano, explicou Leonardo Melgarejo, agrônomo da Universidade Federal de Santa Catarina.

Isso pode significar menos chuvas em locais que produzem carne e soja não somente no Brasil e na Bolívia, mas também na Argentina, Paraguai e Uruguai, disse Melgarejo, o que pode abalar um grande catalisador do crescimento econômico regional.

"As fronteiras que dividem nossos países são ficções do ponto de vista da natureza", disse Melgarejo.

A destruição de somente mais 5% da floresta tropical amazônica desencadearia um ciclo de secas, incêndios e desmatamento ainda pior, alertou ele.

"Estamos muito próximos de um momento de colapso", disse Melgarejo à Reuters em um encontro de cientistas em Santa Cruz, na Bolívia, uma região de terras baixas duramente atingida pelos fogos neste ano.

German Heinzenknecht, especialista climático da consultoria argentina Applied Climatology, disse que áreas do cinturão agrícola dos pampas, incluindo as províncias de Córdoba e Santiago del Estero, podem estar vulneráveis aos efeitos adversos dos incêndios.

"É muito possível que partes do norte da Argentina serão afetadas por um atraso no início da estação de chuvas ou que as chuvas como um todo serão menores do que o normal. Tudo depende da área afetada pelos incêndios na Bolívia e no Brasil", disse Heinzenknecht.

Os agricultores já estavam preocupados com a aridez em áreas agrícolas do oeste argentino antes dos incêndios. O país é um grande exportador de soja, milho e trigo e o principal fornecedor de ração de soja para gado.

O presidente Jair Bolsonaro e seu homólogo boliviano, Evo Morales, ideologicamente opostos, foram criticados por apoiarem uma expansão da produção de soja e carne em regiões arborizadas que ambientalistas culpam pela série de incêndios deste ano. Apesar da revolta, ambos minimizaram os impactos.

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