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Houthis impõem bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo nova frente na guerra entre EUA e Irã

20 jul 2026 - 10h53
(atualizado às 22h21)
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‌Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, anunciaram nesta segunda-feira que estão impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, uma medida que abre uma nova frente contra os Estados Unidos em sua guerra contra o Irã e amplia a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio para além do Golfo Pérsico.

O anúncio ocorreu apesar dos sinais ⁠de que Teerã e Washington desejavam retomar as negociações diplomáticas para interromper um ciclo crescente ‌de ataques que praticamente destruiu um frágil acordo provisório assinado no mês passado. Os preços do petróleo subiram brevemente após a declaração dos houthis, mas recuaram devido às ‌esperanças dos operadores de mercado por um avanço diplomático.

O ‌Irã vinha pressionando os houthis a fechar o estreito de Bab el-Mandeb, porta ⁠de entrada para o Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana. O fechamento total do estreito reduziria o abastecimento global de petróleo em 7%, já que impediria que a maior parte das exportações de petróleo sauditas saíssem da região. Essa interrupção se somaria ao corte maciço nos fluxos globais de petróleo causado pela ‌guerra no Golfo Pérsico, que já reduziu os embarques em 10% do abastecimento global.

Em seu ‌comunicado, as forças armadas dos ⁠houthis afirmaram estar declarando "um ⁠embargo marítimo contra o inimigo criminoso saudita, com base na equação de 'olho por olho', com vigência ⁠imediata", em resposta ao que chamaram de "um cerco ‌injusto e opressivo" imposto ao ‌Iêmen pelos sauditas.

Não houve resposta imediata da Arábia Saudita.

ESFORÇO DIPLOMÁTICO PARA RESTABELECER O CESSAR-FOGO

Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters nesta segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em um esforço para ⁠salvar o acordo provisório, destinado a abrir caminho para um acordo duradouro que ponha fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os mediadores apresentaram recentemente propostas a Teerã, sinalizando que os ‌contatos diplomáticos permanecem ativos.

Nem o ministério nem a autoridade que falou à Reuters forneceram mais detalhes sobre as supostas discussões sobre o cessar-fogo.

Separadamente, duas fontes do governo paquistanês afirmaram ⁠que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana, havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediação no conflito do Irã com os Estados Unidos.

A iniciativa diplomática ocorreu após mais uma noite de ataques dos EUA a cidades iranianas e de ataques da Guarda Revolucionária do Irã a instalações militares norte-americanas em toda a região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, sob crescente pressão política interna devido ao aumento dos preços da gasolina, defendeu os últimos ataques ao Irã como uma forma de honrar a memória de até três militares norte-americanos mortos em recentes ataques iranianos.

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