Hezbollah distribui primeiras ajudas a vítimas da guerra com Israel apesar de sanções dos EUA
O Hezbollah começou a distribuir nesta segunda-feira (2) as primeiras ajudas financeiras prometidas às famílias deslocadas e aos proprietários de imóveis destruídos por bombardeios israelenses. A iniciativa ocorre apesar dos esforços dos Estados Unidos para restringir as fontes de financiamento do movimento xiita pró-Irã.
O Hezbollah iniciou a distribuição de indenizações financeiras de até US$ 14 mil a famílias libanesas que perderam suas casas na guerra com Israel. Apesar do bloqueio dos EUA e de restrições de Beirute à sua rede financeira, o grupo estima contemplar cerca de 50 mil famílias, com custos em torno de US$ 600 milhões, recursos supostamente viabilizados pelo Irã. A medida ocorre em meio à persistência dos confrontos e a um rastro de mais de 290 mil moradias destruídas ou danificadas pela ofensiva israelense.
Paul Khalifeh, correspondente da RFI em Beirute
Dois centros instalados na região de Nabatiyeh, no sul do Líbano, começaram nesta segunda-feira (2) a entregar, em dinheiro, a primeira parcela de uma ajuda anual de US$ 12 mil destinada a famílias que perderam suas casas por causa da ofensiva de Israel.
Já em Beirute e nos subúrbios ao sul da capital, os beneficiários receberão US$ 14 mil ao longo de um ano. Em comunicado, o Hezbollah afirmou esperar concluir o pagamento da primeira parcela a 90% dos beneficiários em até 40 dias.
O grupo havia anunciado que a assistência seria paga em quatro parcelas ao longo de um ano, mas não informou a origem dos recursos nem o número exato de pessoas contempladas.
Ajuda contorna sanções norte-americanas
O amplo programa de indenização para os deslocados pela guerra está sendo implementado apesar das severas sanções impostas pelos Estados Unidos, que têm o apoio das autoridades libanesas. O governo do Líbano proibiu a atuação da estrutura financeira do Hezbollah, conhecida como Al-Qard al-Hassan, e apreendeu milhões de dólares destinados ao movimento xiita, provenientes da Turquia e de outros países, como parte da estratégia oficial de desarmar o grupo.
Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa americanos e árabes, o Irã teria conseguido transferir US$ 200 milhões ao Hezbollah no início de setembro, apesar do bloqueio econômico imposto por Washington a Teerã.
O jornal libanês Al-Akhbar, próximo ao Hezbollah, afirma que cerca de 50 mil famílias serão beneficiadas pelo programa de indenizações, estimado em US$ 600 milhões.
"Presente" do Irã e do Hezbollah
Em dezembro de 2024, ao fim de um conflito entre o Hezbollah e Israel, o grupo havia anunciado um programa semelhante de ajuda aos deslocados, no valor de US$ 77 milhões, apresentado como um "presente do povo iraniano e do Hezbollah".
A ofensiva israelense contra o movimento xiita já destruiu ou danificou mais de 290 mil moradias desde 2023, segundo um balanço provisório das autoridades libanesas. Os principais estragos foram registrados no sul do país e nos subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah.
Desde junho, Washington e Teerã assinaram um protocolo de entendimento, enquanto Líbano e Israel firmaram, sob mediação dos Estados Unidos, um acordo-quadro que prevê, entre outras medidas, o desarmamento do Hezbollah.
Os compromissos deveriam ter contribuído para encerrar as hostilidades, mas os confrontos persistem. Segundo o Hezbollah e autoridades libanesas, Israel manteve operações militares e bombardeios na região, em violação recorrente do cessar-fogo.
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