'Há coisas preocupantes ocorrendo nos EUA', diz papa Leão XIV
Pontífice americano cobrou respeito à 'dignidade humana'
O papa Leão XIV, primeiro pontífice norte-americano na história da Igreja Católica, expressou preocupação com a situação dos Estados Unidos e minimizou o fato de ainda não ter se encontrado com o presidente Donald Trump.
As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Elisa Ann Allen, do portal especializado em catolicismo Crux, para uma biografia de Robert Prevost, "Leão XIV: Cidadão do mundo, missionário do século 21", lançada nesta quinta-feira (18) no Peru, país onde ele atuou durante boa parte da vida.
"Em uma das últimas conversas que tive com o vice-presidente dos Estados Unidos [J.D. Vance] - não tive conversas diretas com o presidente nem o conheci -, falei sobre a dignidade humana e a importância dela para todas as pessoas, onde quer que você nasça, e sobre encontrar maneiras de respeitar os seres humanos e o modo como os tratamos nas políticas e escolhas que fazemos", contou o Papa.
"Obviamente, há algumas coisas acontecendo nos Estados Unidos que são preocupantes. Continuamos buscando maneiras de, pelo menos, levantar algumas das questões que precisam ser feitas", acrescentou.
Durante a entrevista, o pontífice também citou uma carta enviada pelo papa Francisco aos bispos americanos em fevereiro passado, na qual o argentino criticava as políticas de deportação em massa do governo Trump. "Fiquei muito feliz em ver como os bispos americanos aceitaram isso", disse.
Prevost ainda afirmou que não pretende se "envolver em política partidária", mas que não tem receio de abordar assuntos relacionados à Igreja, e minimizou o fato de ainda não ter se reunido com o presidente dos EUA.
"Trump deu uma declaração na semana passada sobre não ter em sua agenda querer me conhecer, e então disse: 'Mas o irmão dele é um cara legal', e está tudo bem. Mas se houver questões específicas para conversar com ele, eu não teria problema em fazê-lo", destacou o Papa, acrescentando que os Estados Unidos são uma "potência mundial onde, muitas vezes, as decisões são tomadas com base mais na economia do que na dignidade humana".
"Mas temos de continuar a levantar algumas questões e ver a melhor maneira de fazer isso", ressaltou.