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Guerra no Oriente Médio e bloqueio parcial de rotas marítimas e aéreas ameaçam o abastecimento de remédios contra o câncer

A guerra no Oriente Médio está afetando o fornecimento de medicamentos essenciais no Golfo e coloca em risco as rotas de abastecimento de remédios anticâncer e outros tratamentos que exigem refrigeração. As empresas têm sido obrigadas a redirecionar voos e buscar acessos terrestres para a região, segundo executivos do setor.

16 mar 2026 - 09h27
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O conflito — desencadeado pelos ataques americanos e israelenses contra o Irã há duas semanas — tirou de operação hubs aéreos estratégicos e fechou rotas marítimas, paralisando o transporte de mercadorias, incluindo medicamentos, alimentos e petróleo. 

Embora ainda haja poucos sinais de grandes rupturas no abastecimento, a situação pode mudar se a guerra se prolongar, segundo executivos do setor. O Golfo depende de importações, e certos medicamentos têm validade limitada e exigem armazenagem em cadeia fria, o que inviabiliza o transporte terrestre prolongado. 

Os laboratórios farmacêuticos estão buscando rotas alternativas para o Golfo e transportando medicamentos por via terrestre a partir de aeroportos como Jeddah e Riade, na Arábia Saudita, além de Istambul e Omã. 

Os principais aeroportos da região, incluindo os de Dubai, Abu Dhabi e Doha, foram fechados por causa dos ataques iranianos. Dubai e Doha são grandes hubs de carga que conectam Europa, Ásia e África, operados por companhias como Emirates e Etihad, além de empresas de logística como a DHL, que manipulam medicamentos sensíveis à temperatura. 

Sem corredores alternativos

Segundo Wouter Dewulf, professor da Antwerp Management School, dados do setor mostram que mais de um quinto da carga aérea mundial — principal via de transporte de medicamentos e vacinas críticos — está exposto às perturbações no Oriente Médio. De acordo com o executivo, "corredores alternativos de cadeia fria" não podem ser implementados rapidamente e nem sempre estão disponíveis. 

Outro dirigente de uma indústria farmacêutica ouvido pela agência Reuters disse ter criado equipes internas para priorizar remessas vitais para pacientes, incluindo tratamentos contra câncer. Ele alertou que alguns envios controlados por temperatura podem perder conexões caso não haja armazenagem e manuseio adequados. 

Um dirigente de uma empresa de dispositivos médicos afirmou que a primeira etapa é mapear as remessas já em trânsito ou prontas para embarcar e então decidir qual carregamento deve ser desviado e se novos envios devem ser planejados. 

Esse dirigente — que, como outros, não revelou a identidade — afirmou que algumas cargas entre Europa e Ásia, que normalmente transitam pelos aeroportos de Dubai ou Doha, estão agora sendo redirecionadas pela China ou por Singapura. 

As rotas marítimas, diz, não são viáveis devido ao tempo de transporte mais longo e ao fechamento parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã, um ponto crítico da navegação global. "Se você precisa realizar uma cirurgia de urgência em um paciente que aguarda tratamento, deve escolher o modo de transporte mais rápido", disse. 

Hospitais podem ficar sem estoque 

O pesquisador Prashant Yadav, do centro de pesquisas de política externa americano Council on Foreign Relations, afirmou que estoques de medicamentos sensíveis à temperatura, de curta validade e mais caros geralmente duram cerca de três meses — e que tratamentos contra câncer, especialmente anticorpos monoclonais, estão entre os mais vulneráveis. 

Atrasos na entrega de medicamentos oncológicos podem ter consequências graves. Pacientes podem ser obrigados a recomeçar um tratamento já iniciado ou ver a doença avançar.  Segundo Yadav, a interrupção já cria dificuldades para algumas empresas, cujos clientes alertam que podem ficar sem suprimentos entre quatro e seis semanas se a situação não melhorar. 

Mais de 100 representantes dos setores farmacêutico e logístico participaram, na semana passada, de um encontro organizado pela Pharma.Aero, grupo especializado em logística do setor, para discutir a crise no Golfo e seus impactos na cadeia de suprimentos e no transporte. 

Setor resiste 

Alguns fornecedores de logística afirmam que o setor ainda está conseguindo se adaptar. Dorothee Becher, responsável pela logística aérea para o setor de saúde no transportador Kuehne+Nagel, disse que as companhias aéreas seguem atendendo Jeddah, Riade e Omã, usando rotas terrestres para alcançar os destinos finais. 

"Não vejo, por ora, risco de queda dramática nos estoques", afirmou, acrescentando que cargas de saúde têm prioridade. Mas garantir a continuidade das remessas é um desafio constante. 

Doaa Fathallah, diretora de operações da empresa de logística biotecnológica Marken, afirmou que a carga em cadeia fria continua fluindo, mas apenas graças a uma reorganização contínua, 24 horas por dia, em meio a mudanças rápidas nas restrições do espaço aéreo. 

Esses desvios resultam em tempos de trânsito mais longos e custos de combustível mais altos, aumentando gastos logísticos, disse ela, além de exigir uso de gelo seco para manter os medicamentos refrigerados. 

Os riscos para o setor aumentam se as interrupções persistirem, afirmaram executivos, à medida que estoques no Golfo e na Ásia diminuem. Problemas de transporte também podem afetar produtos que impactam indiretamente o fornecimento de medicamentos, como tampas de frascos, plásticos para infusões intravenosas e outros componentes de embalagem. 

"Nem sempre é uma falta do medicamento em si", disse David Weeks, que acompanha o setor de cadeia de suprimentos para a agência de classificação Moody's. "Em alguns casos, é a pequena tampa do frasco de onde se extrai a dose", exemplificou. 

Com Reuters

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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