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Guerra do Irã é "lição abjeta" sobre dependência de combustíveis fósseis, diz chefe climático da ONU

16 mar 2026 - 09h53
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A interrupção dos mercados de ‌energia causada pela guerra do Irã é uma "lição abjeta" sobre os riscos de depender de combustíveis fósseis e ressalta a necessidade de os governos livrarem suas economias do petróleo e do gás, dirá o secretário do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) aos formuladores ⁠de políticas da UE nesta segunda-feira.

Embora geograficamente distante da crise no Oriente ‌Médio, a União Europeia sentiu seus efeitos através do aumento dos preços globais da energia. Os preços do gás na Europa ‌aumentaram em 50% durante a guerra de ‌duas semanas.

"A dependência de combustível fóssil está acabando com a ⁠segurança e a soberania nacionais, substituindo-as por subserviência e custos crescentes", dirá Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, braço da ONU para mudanças climáticas, a autoridades da UE e ministros do governo em um evento em Bruxelas.

"A Europa é mais dependente da importação de combustíveis ‌fósseis do que quase todas as outras grandes economias", dirá Stiell, em ‌comentários preparados que alertam ⁠que a dependência ⁠de combustíveis fósseis está deixando os consumidores "à mercê de choques geopolíticos e da ⁠volatilidade dos preços".

A UE importa ‌mais de 90% de ‌seu petróleo e 80% de seu gás.

Os líderes da UE estão elaborando apressadamente medidas de emergência para proteger os consumidores contra o aumento do preço da energia e evitar a repetição ⁠da crise energética de 2022 na Europa, quando a Rússia cortou o fornecimento de gás, fazendo com que os preços atingissem níveis recordes.

A longo prazo, a Comissão Europeia afirma que sua estratégia de mudança climática para substituir os ‌combustíveis fósseis por energia renovável e nuclear produzida localmente garantirá a segurança energética dos países e os livrará da volatilidade dos preços ⁠dos combustíveis.

No entanto, governos como o da Itália e da Hungria estão pedindo que Bruxelas enfraqueça suas políticas de mudança climática, a fim de proporcionar alívio de custos de curto prazo para as indústrias.

Stiell advertirá que fazer isso seria "completamente ilusório" e argumentará que a mudança para fontes renováveis, como a energia eólica e solar, significa energia mais barata, empregos em setores de tecnologia limpa e fornecimento seguro.

"A dócil dependência das importações de combustíveis fósseis deixará a Europa sempre oscilando de uma crise para outra", dirá Stiell. "As energias renováveis invertem a situação. A luz do Sol não depende de estreitos e corredores marítimos vulneráveis."

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