Groenlândia e Dinamarca pedem reunião com os EUA após ameaças de Trump que preocupam a Europa e a Otan
Os líderes europeus entraram em alerta máximo após declarações de Donald Trump sobre a possibilidade de "adquirir" a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, que é país-membro da União Europeia e da Otan. Representantes da ilha, que tem governo próprio, e Copenhague solicitaram uma reunião urgente com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para discutir as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, segundo a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt.
"A Groenlândia é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e é vital para dissuadir nossos adversários na região do Ártico", declarou a secretária de imprensa de Trump, Karoline Leavitt, na terça-feira (6). Segundo ela, Trump estaria estudando "várias opções", incluindo "usar o exército".
Diante da gravidade dessas declarações, a ministra Vivian Motzfeldt destacou no Facebook a falta de diálogo com Washington. "Até o momento, não foi possível para o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se reunir com o governo da Groenlândia, apesar de o governo da Groenlândia e o governo dinamarquês terem solicitado, ao longo de 2025, uma reunião no nível dos ministérios das Relações Exteriores", destacou ela.
Reações da Europa sobre as intenções de Trump
O apetite de Trump por esta ilha estratégica, situada entre o oceano Atlântico Norte e o oceano Ártico, teve forte repercussão na imprensa francesa nesta quarta-feira (7). O jornal Les Échos afirma que, antes de invadir, o presidente americano prefere "comprar" a Groenlândia. O preço de aquisição não foi divulgado, mas essa ambição representa uma ameaça existencial para a Otan e para a Europa, que precisam demonstrar firmeza diante das pretensões do governo americano.
Em seu editorial, o diário econômico avalia que, assim como fez na Venezuela, Washington busca petróleo na ilha, além de terras raras e rotas estratégicas do Ártico. Mas, diante dessa ofensiva, a Europa permanece imóvel, paralisada pelo próprio medo, refém do receio de desafiar os Estados Unidos, limitando-se a reações tímidas e hesitantes, lamenta o jornal francês.
O jornal conservador Le Figaro detalha que, entre as "várias opções" para anexar a Groenlândia, os Estados Unidos não excluem o uso das Forças Armadas, uma possibilidade que gerou reações de países europeus. França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta manifestando seu apoio à Dinamarca diante das reivindicações de Donald Trump sobre a Groenlândia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou não imaginar os americanos violando a soberania dinamarquesa.
Reforço da defesa da Groenlândia
Autoridades dinamarquesas alertaram que uma ação militar seria um ataque à ordem mundial e contestaram alegações americanas sobre influência russa e chinesa na região.
O jornal progressista Libération, que leva a sério a ameaça de Trump, deixou claro que o uso do exército continua na mesa, mas o Le Figaro relata que a via diplomática permanece uma opção privilegiada.
Os ministros das Relações Exteriores dos países nórdicos também enfatizaram em um comunicado conjunto que os assuntos relativos à Dinamarca e à Groenlândia devem ser decididos exclusivamente pela Dinamarca e pela Groenlândia.
Já uma reportagem do Le Parisien lembra que controlar a Groenlândia é um desejo antigo do presidente americano. O diário defende, como pede o eurodeputado francês Raphaël Glucksmann, o reforço da defesa da ilha com a participação ativa da Otan.