França coloca documentos à disposição da Itália sobre 'desastre de Ustica'
Avião explodiu 'misteriosamente' no ar com 81 pessoas a bordo em 1980
A França disponibilizou à Itália documentos até a década de 1990 para colaborar nas investigações do desastre aéreo de Ustica, que deixou 81 mortos em 1980. O caso, ainda não esclarecido, apura se a aeronave comercial foi derrubada por engano por um míssil francês que visava um avião líbio. Com essa abertura do governo francês, promotores de Roma devem suspender o pedido de arquivamento do processo para tentar finalmente solucionar um dos maiores mistérios da aviação italiana.
A França se colocou à disposição da Itália para colaborar nas investigações relativas ao desastre aéreo de Ustica, ocorrido em 1980, no qual 81 pessoas morreram.
Entre as hipóteses da tragédia está a de que um míssil francês teria errado o alvo e atingido a aeronave comercial, que ia de Bolonha para Palermo.
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (28), a Embaixada francesa em Roma fez o anúncio ao Ministério das Relações Exteriores nos últimos dias, ressaltando sua intenção de transferir um material com arquivos datados até a década de 1990 para a Itália.
As autoridades francesas também teriam manifestado disposição para atender a quaisquer solicitações adicionais do governo italiano relacionadas ao caso, que nunca foi esclarecido.
Diante de tal desdobramento, os promotores de Roma devem retirar o pedido de arquivamento da investigação mais recente sobre a tragédia.
O misterioso desastre aéreo ocorrido em 27 de junho de 1980 tem sido objeto de inúmeras investigações, ações judiciais e acusações, incluindo alegações de conspiração.
As hipóteses sobre as causas do que se tornou um dos grandes mistérios da aviação italiana incluem um atentado a bomba e o disparo de um míssil durante um combate aéreo militar, tendo um avião líbio como possível alvo.
De acordo com o relatório de arquivamento, os promotores de Roma não conseguiram identificar a nacionalidade dos caças que teriam causado a queda do voo, que havia decolado de Bolonha com destino a Palermo e era operado pela extinta companhia aérea Itavia. A aeronave, com 81 pessoas a bordo, entre elas 11 crianças e dois bebês, explodiu sobre o Mar Tirreno.
Em 2013, a Corte de Cassação concluiu que um míssil de origem desconhecida foi a causa definitiva do desastre. Dez anos mais tarde, o ex-primeiro-ministro italiano Giuliano Amato declarou que um míssil francês estava por trás da misteriosa queda da aeronave. Segundo Amato, o avião foi atingido durante uma tentativa de assassinar o falecido líder líbio Muammar Gaddafi.
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