Itália condena agentes egípcios por sequestro de pesquisador assassinado no Cairo
Corpo de Giulio Regeni foi encontrado com sinais de tortura em 2016
O Tribunal de Roma condenou à revelia três agentes estatais egípcios a dez anos de prisão pelo sequestro do pesquisador italiano Giulio Regeni, ocorrido no Cairo em 2016. Um quarto réu foi absolvido, e a acusação de homicídio acabou retirada. Regeni, que investigava sindicatos opositores ao governo egípcio, foi capturado, mantido em cativeiro e torturado até a morte. A decisão foi celebrada pelo Ministério Público e pela família da vítima como uma vitória histórica contra a omissão do Egito.
Três dos quatro réus egípcios acusados de haver sequestrado, torturado e assassinado o italiano Giulio Regeni no Cairo em 2016 foram condenados nesta segunda-feira (28) pelo Tribunal do Júri de Roma, que absolveu o quarto envolvido.
O major Magdi Ibrahim Abdelal Sharif e os coronéis Uhsam Helmi e Athar Kamel Mohamed foram condenados em contumácia a 10 anos de prisão. Já o general Tariq Sabir foi absolvido.
Os agentes foram condenados apenas pelo sequestro de Regeni, ocorrido no Cairo em 25 de janeiro de 2016, enquanto a acusação de homicídio foi retirada.
Para o procurador de Roma, Francesco Lo Voi, é motivo de "celebração" o fato de terem ocorrido "três condenações em referentes a atos praticados por indivíduos ligados ao Estado egípcio", apesar da "falta de cooperação efetiva das autoridades do Cairo".
"Estamos satisfeitos por ter resgatado este processo do impasse em que havia caído", acrescentou Lo Voi. A advogada da família Regeni, Alessandra Ballerini, também comemorou a sentença.
"É evidente que será necessário ler a fundamentação da decisão, mas hoje sabemos que nossa confiança na justiça foi justificada", afirmou a defensora.
Antes da leitura da sentença, Ballerini lembrou que "o regime egípcio fez tudo o que estava ao seu alcance para impedir esse processo".
"No entanto, essa família permaneceu resiliente. Os Regeni fizeram isso por nós e, se os nossos direitos têm um pouco mais de peso hoje, é graças a eles", destacou.
Natural de Trieste, no Friuli-Venezia Giulia, Regeni, então com 28 anos, vivia no Cairo para preparar uma tese sobre sindicatos independentes para a Universidade de Cambridge, mas desapareceu no dia 25 de janeiro de 2016. Seu corpo só foi encontrado mais de uma semana depois, com evidentes sinais de tortura.
O italiano frequentava organizações sindicais clandestinas e contrárias ao presidente autocrata Abdel Fattah al-Sisi, o que levantou a hipótese de crime político. Segundo a acusação, os quatro agentes seguiam os passos de Regeni desde o fim de 2015 e o abordaram na noite de 25 de janeiro de 2016, no metrô do Cairo.
Em seguida, teriam conduzido o pesquisador contra sua vontade para uma delegacia e, depois, para um edifício onde ele ficaria em cativeiro. Para o MP, Regeni foi "torturado durante dias", o que provocou "agudo sofrimento físico", inclusive por meio de "objetos escaldantes, chutes, socos, lâminas e bastões". Essas ações teriam causado "numerosas lesões traumáticas na cabeça, no rosto, no trato cérvico-dorsal e nos membros inferiores". .
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