Megafoguete Starship do trilionário Elon Musk alcança a órbita terrestre pela primeira vez
O megafoguete Starship, da SpaceX, empresa de Elon Musk, alcançou a órbita terrestre pela primeira vez nesta segunda-feira (28), apesar de um problema em um dos motores, em um voo de testes considerado uma etapa importante para o desenvolvimento do gigantesco foguete, projetado para futuras missões à Lua e a Marte e para o transporte de centros de dados ao espaço. A nave caiu, como previsto, no Oceano Pacífico após orbitar a Terra duas vezes.
O megafoguete Starship, da SpaceX, alcançou a órbita terrestre pela primeira vez em seu 14º voo de testes, liberando com sucesso 26 satélites Starlink. Apesar do marco histórico para o desenvolvimento do veículo espacial de Elon Musk, a missão teve sua duração encurtada de seis para duas voltas ao redor da Terra devido a uma falha em um dos motores do estágio superior. A nave fez uma reentrada controlada no Oceano Pacífico, enquanto o propulsor Super Heavy caiu no Golfo do México.
O colosso preto e prateado, com mais de 120 metros de altura, decolou pouco depois das 12h48 GMT (9h48 de Brasília), do Texas, em seu 14º voo de testes. Cerca de 25 minutos depois, o estágio superior do foguete, o maior e mais potente já construído, alcançou a órbita terrestre e começou a colocar em órbita 26 satélites Starlink de nova geração, pela primeira vez em uma missão operacional.
A manobra foi acompanhada pelos aplausos dos engenheiros da SpaceX. A empresa, que realizou em junho uma estreia retumbante na Bolsa de Valores, considerou a entrada em órbita e o lançamento dos satélites etapas importantes do teste.
O voo, porém, foi encurtado após um problema em um dos motores do estágio superior. Em vez de realizar as seis voltas ao redor da Terra inicialmente previstas, a nave completou duas órbitas antes de iniciar uma descida controlada e entrar na atmosfera. Cerca de três horas após o lançamento, terminou a viagem no Oceano Pacífico.
O propulsor, chamado Super Heavy, que impulsionou o conjunto durante a decolagem, caiu, como previsto, nas águas do Golfo do México.
Após cerca de dez anos de desenvolvimento e três anos de voos de teste do Starship em sua configuração completa, este foi o primeiro teste que buscou alcançar a órbita terrestre.
Etapa arriscada
A decisão de levar o voo até a órbita ocorreu depois que um dos motores do estágio superior parou prematuramente durante a subida. Após uma análise técnica e uma breve mudança de decisão, a SpaceX anunciou que prosseguiria com a tentativa.
A opção de realizar a propulsão adicional para alcançar a órbita era considerada delicada, pois uma perda de controle do enorme veículo poderia representar riscos para satélites em órbita ou provocar uma reentrada descontrolada na atmosfera.
Até então, a SpaceX havia deliberadamente submetido o estágio superior a trajetórias suborbitais, consideradas mais seguras e menos complexas, para avaliar o foguete e fazer modificações a partir dos sucessos e fracassos dos testes anteriores.
Para alcançar uma órbita circular a cerca de 275 quilômetros da superfície terrestre, é necessário atingir uma velocidade de aproximadamente 28.000 km/h.
"É uma façanha ter conseguido realizar o voo e chegar à órbita", mas o fato de a empresa não ter conseguido completar o voo de dez horas e ter enfrentado problemas no motor impede que o teste seja considerado um sucesso completo, avaliou à AFP Kathleen Curlee, analista espacial da Universidade de Georgetown.
Nova fase de testes
O voo deve marcar a entrada do Starship em uma nova fase de desenvolvimento, que incluirá, entre outros desafios, testes de reabastecimento de combustível em órbita.
Ainda há obstáculos técnicos importantes antes que o foguete, que Musk pretende tornar totalmente reutilizável, esteja pronto para cumprir todas as missões previstas.
A SpaceX pretende utilizar o Starship em uma ampla variedade de missões, do transporte de centros de dados ao espaço a projetos de exploração e colonização de Marte. Versões modificadas do foguete também deverão ser utilizadas no programa lunar da Nasa e em projetos de voos de longa distância na Terra.
O desenvolvimento desses projetos, porém, sofreu atrasos nos últimos anos.
A SpaceX domina atualmente o mercado de lançamentos comerciais com seus foguetes Falcon, parcialmente reutilizáveis, e pretende ampliar essa capacidade com o Starship.
A empresa também enfrenta pressão de público e investidores para realizar "testes espetaculares", segundo Curlee. A entrada em órbita e o lançamento bem-sucedido dos 26 satélites Starlink representam avanços, mas o problema no motor impediu que o voo transcorresse conforme o planejado.
Este 14º voo de testes será seguido, ainda nesta semana, por outros três lançamentos da SpaceX, um dos quais levará uma tripulação de astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).
Com AFP
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