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França: greve de funcionários públicos contra congelamento de salários deve afetar transportes em Paris

Os funcionários públicos franceses realizam nesta terça-feira (29) uma greve nacional para reivindicar melhores salários e condições de trabalho e pressionar o governo a poucos dias da apresentação do projeto de Orçamento de 2027. O movimento pode impactar o transporte público, principalmente na região de Paris e arredores.

28 set 2026 - 15h48
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Resumo
Sindicatos franceses convocaram uma greve geral do funcionalismo público contra o congelamento de salários e a perda do poder de compra frente à inflação. A mobilização abrange professores, profissionais de saúde e bombeiros, além de prever bloqueios liderados por estudantes. O movimento também afeta o transporte na região de Paris, reduzindo a circulação de trens suburbanos e fechando estações de metrô. A ação visa pressionar o governo no Orçamento de 2027 e alertar sobre o déficit de servidores.

A paralisação foi convocada pelos principais sindicatos do setor público - CGT, FO, CFDT, UNSA, FSU, Solidaires, CFE-CGC e FA-FP - em reação à intenção do governo de congelar novamente o índice utilizado para calcular os salários-base dos servidores.

A greve anunciada desta terça-feira (29) pelos servidores públicos franceses deve afetar os transportes públicos em Paris e arredores (imagem de arquivo da RER E, na estação Porte Maillot, em 3 de maio de 2024).
A greve anunciada desta terça-feira (29) pelos servidores públicos franceses deve afetar os transportes públicos em Paris e arredores (imagem de arquivo da RER E, na estação Porte Maillot, em 3 de maio de 2024).
Foto: AFP - THOMAS SAMSON / RFI

Segundo os sindicatos, os funcionários públicos enfrentam perda de poder de compra e falta de reconhecimento. Desde 2017, o índice foi reajustado apenas duas vezes, em 2022 e 2023, com aumento acumulado de pouco mais de 5%. Segundo o instituto francês de estatísticas, a inflação acumulada desde 2017 deverá chegar a 24% até o fim de 2026.

A mobilização deve atingir diversas categorias, incluindo professores, profissionais de saúde e bombeiros, com manifestações em todo o país. O principal sindicato dos professores do ensino fundamental estima que 40% dos docentes das escolas públicas participem da greve. Professores de colégios e liceus também foram convocados, enquanto organizações estudantis anunciaram mobilizações nas universidades.

A principal organização sindical dos estudantes do ensino médio, a União Sindical Lycéenne (USL), convocou o bloqueio de escolas em todo o país. Segundo seu presidente, Ryad Rani, a mobilização pretende promover uma "convergência das lutas" entre estudantes e funcionários da educação. O governo advertiu que as forças de segurança poderão intervir em caso de violência ou bloqueio total de escolas.

Transportes

A greve também terá impacto sobre os transportes, principalmente em algumas linhas suburbanas da região de Paris.

Na rede da SNCF, os trens de longa distância, como TGV e Intercités, devem circular normalmente, enquanto o tráfego dos TER será quase normal. Na rede suburbana, haverá redução de circulação nos RER C, D e E e nas linhas R e V.

O RER D, que liga Creil, ao norte de Paris, a Malesherbes, ao sul, passando pelas estações Gare du Nord e Gare de Lyon, será uma das linhas mais afetadas. Haverá um trem a cada dois entre Creil e Corbeil-Essonnes, entre Melun e Goussainville e entre Juvisy e Malesherbes. Entre Corbeil-Essonnes e Juvisy e entre Melun e Corbeil-Essonnes, haverá apenas um trem a cada três.

No RER C e no RER E, três em cada quatro trens devem circular. Na linha V, serão dois em cada três, enquanto a linha R terá um trem em cada três nos horários de pico.

Na RATP, o metrô deve operar normalmente. Algumas estações, entretanto, serão fechadas a partir das 12h, por determinação da polícia, devido à manifestação prevista para a tarde em Paris.

As organizações sindicais esperam que a mobilização pressione o governo durante a preparação do Orçamento de 2027. A greve também ocorre em um contexto de forte preocupação com o poder de compra dos funcionários públicos e com a falta de pessoal: segundo a CFDT, 60 mil postos não estão preenchidos nas diferentes áreas do serviço público.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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